Copom corta juro a 8,75% e sinaliza pausa

BRASÍLIA (Reuters) - O Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu nesta quarta-feira o juro básico brasileiro em 0,5 ponto percentual e sinalizou uma pausa no atual ciclo de cortes, como o mercado esperava. O comitê avalia, neste momento, que esse patamar de taxa básica de juros é consistente com um cenário inflacionário benigno, contribuindo para assegurar a convergência da inflação para a trajetória de metas ao longo do horizonte relevante, bem como para a recuperação não inflacionária da atividade econômica, afirmou o comitê no comunicado.

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Pesquisa da Reuters da semana passada mostrou que 32 de 34 economistas consultados esperavam a redução para 8,75 por cento agora --dois acreditavam num corte de apenas 0,25 ponto-- e 24 deles acreditavam que a taxa seguiria assim pelo restante do ano.

"O comunicado foi bastante incisivo em mostrar que o ciclo de flexibilização monetária acabou", resumiu Roberto Padovani, economista-chefe do WestLB.

Mas o mercado acredita que o Banco Central também deixou uma porta aberta para novos cortes, caso o cenário mude.

"O comunicado não descarta novos cortes, uma vez que o Banco Central afirma que 'neste momento' a taxa básica de juros é consistente", argumentou Marcelo Portilho, estrategista da CM Capital Markets.

"Nada impede que ele volte a flexibilizar a Selic se as perspectivas para a economia voltarem a piorar no exterior e isso levar à percepção de menor pressão inflacionária", acrescentou.

A decisão não deve trazer grande impacto sobre o mercado de juros na quinta-feira.

"O Copom agiu de acordo com as expectativas do mercado, que antecipava essa ação, não introduzindo volatilidade na abertura do mercado de juros", previu Marcelo Castello Branco, economista-chefe do BR Investimentos.

O quinto corte sucessivo da Selic foi decidido de maneira unânime pelo colegiado do BC.

A próxima reunião do Copom está agendada para 1 e 2 de setembro.

(Reportagem de Fernando Exman, em Brasília, Paula Laier e Aluísio Alves, em São Paulo)

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