Copom confirma expectativas e mantém juro básico em 8,75%

Por Isabel Versiani BRASÍLIA (Reuters) - O Comitê de Política Monetária (Copom) manteve o juro básico em 8,75 por cento ao ano na última reunião de 2009, afirmando que a taxa é adequada neste momento.

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A terceira decisão consecutiva pela manutenção da Selic foi unânime e confirmou as expectativas do mercado. Analistas divergiram, contudo, sobre os próximos passos do Banco Central.

"Levando em conta, por um lado, a flexibilização da política monetária implementada desde janeiro, e por outro, a margem de ociosidade remanescente dos fatores produtivos, entre outros fatores, o comitê avalia, neste momento, que esse patamar de taxa básica de juros é consistente com um cenário inflacionário benigno", afirmou o Copom no comunicado que acompanhou a decisão desta quarta-feira.

O colegiado do BC acrescentou que o nível atual do juro contribui para "assegurar a manutenção da inflação na trajetória de metas ao longo do horizonte relevante e para a recuperação não inflacionária da atividade econômica".

A nota foi parecida com a divulgada na reunião anterior, mas o BC acrescentou as expressões "remanescente" ao falar da ociosidade dos fatores produtivos e "neste momento" ao avaliar que o patamar do juro é consistente com um cenário inflacionário benigno.

"A inclusão do 'neste momento' no texto do Copom indica que a probabilidade de um aumento de juro no curto prazo aumentou consideravelmente", avaliou Flávio Serrano, economista sênior do BES Investimentos. "O comunicado abre espaço para um possível ajuste dos juros já no início do ano que vem."

Para Roberto Padovani, economista-chefe do WestLb, o comunicado sinaliza que "eles vão manter os 8,75 por cento por muito tempo". "Eles acreditam que essa taxa é neutra e isso desmancha as apostas daqueles que achavam que poderia ter elevação de juro já no primeiro trimestre de 2010", afirmou.

Pesquisa da Reuters na semana passada mostrou que todas as 23 instituições financeiras consultadas já esperavam a manutenção da Selic neste mês, mas divergiam sobre 2010.

DÚVIDAS SOBRE 2010

De 21 analistas que detalharam, na pesquisa, as expectativas para a atuação do BC à frente, dez acreditavam que o Copom elevará a taxa básica no primeiro semestre de 2010, seis achavam que alta ocorrerá na segunda metade do ano que vem, um esperava elevação entre junho e julho e quatro estimavam mudança apenas em 2011.

A decisão do BC foi tomada na véspera da divulgação do Produto Interno Bruto (PIB) do terceiro trimestre que, na estimativa de analistas ouvidos pela Reuters, cresceu 2 por cento frente ao período anterior.

Esse resultado confirmaria um cenário de sólida recuperação da economia brasileira, que chegou a registrar recessão técnica no início do ano.

Prognósticos do mercado e do próprio BC apontam inflação abaixo do centro da meta de 4,5 por cento em 2009 e 2010, mas o Copom tem destacado em seus comunicados a atenção dada à ociosidade dos fatores produtivos, refletida na utilização da capacidade instalada (UCI) e nos dados de emprego.

O desemprego atingiu 7,5 por cento em outubro, menor patamar do ano. A UCI subiu para 80,5 por cento na indústria em outubro, maior patamar desde novembro do ano passado, segundo dados da Confederação Nacional da Indústria (CNI).

Esta foi a primeira reunião do Copom com a participação do economista Aldo Mendes, que assumiu a diretoria de Política Monetária do BC no mês passado em substituição a Mário Torós. O comitê voltará a se reunir nos dias 26 e 27 de janeiro.

(Reportagem adicional de Paula Laier e Aluísio Alves)

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