Copenhague pode ser última chance, diz ministra anfitriã

A presidente da Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP-15) e ministra do Clima da Dinamarca, Connie Hedegaard, disse hoje que a chave para um acordo ambiental é encontrar uma forma de elevar e canalizar recursos públicos e privados para países pobres nos próximos anos, com o objetivo de ajudá-los a lutar contra os efeitos das mudanças climáticas. Segundo ela, se os governos perderem essa chance, podem nunca mais ter uma oportunidade melhor.

Agência Estado |

"Esta é a nossa chance. Se a perdermos, pode levar anos até que consigamos uma melhor. Se é que isso vai acontecer."

A maior e mais importante conferência sobre mudanças climáticas da história foi aberta hoje em Copenhague com diplomatas de 192 países. O encontro de duas semanas causa grande expectativa após uma série de promessas por parte de países ricos e em desenvolvimento para desacelerar suas emissões de gases de efeito estufa.

O primeiro-ministro dinamarquês disse que 110 chefes de Estado e de governo participarão dos últimos dias da conferência. A decisão do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, de comparecer ao final da reunião, e não no meio do evento, foi considerada um sinal de que o acordo está mais próximo. Em jogo está o objetivo de fazer com que o mundo deixe de usar combustíveis fósseis e outros poluentes e passe a utilizar fontes mais limpas de energia, além da transferência de verbas de países ricos para nações pobres, durante décadas, para ajudá-los a se adaptarem às mudanças climáticas.

A conferência foi aberta com imagens de crianças de vários lugares do mundo pedindo aos delegados que as ajudem a crescer num planeta sem problemas de aquecimento. Ativistas também tentam chamar a atenção para suas campanhas contra o desmatamento e pelo uso de energias limpas e baixo crescimento das emissões de carbono.

Mohamad Shinaz, um ativista das Maldivas, entrou num tanque com quase 750 litros de água fria para ilustrar o que o aumento do nível dos mares está fazendo a seu país insular. "Eu quero que as pessoas saibam o que está acontecendo", disse. "Temos de parar o aquecimento global."

Cientistas dizem que sem um pacto, a Terra vai enfrentar as consequências da elevação das temperaturas, o que vai resultar na extinção de espécies de plantas e animais, na inundação de cidades costeiras, em eventos climáticos extremos, em secas e na disseminação de doenças. "As evidências são muito claras" de que o mundo precisa de ações para combater o aquecimento global, afirmou Rajendra Pachauri, presidente do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, pela sigla em inglês), o quadro da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre o assunto.

Ele defendeu as pesquisas sobre o clima apesar da controvérsia sobre e-mails roubados de uma universidade britânica que, para os céticos, mostram que os cientistas conspiraram para esconder evidências que não se ajustam às suas teorias. "O recente incidente de roubo de e-mails de cientistas na Universidade de East Anglia mostra que algumas pessoas podem chegar ao ponto realizar atos ilegais, talvez numa tentativa de desacreditar o IPCC", disse ele aos participantes.

Metas

As negociações, que já duram dois anos, só recentemente mostraram sinais de avanço com os compromissos dos Estados Unidos, da China e da Índia de controlar as emissões de gases causadores do efeito estufa. A primeira semana da conferência será dedicada à melhoria do rascunho do acordo. Mas grandes decisões terão de esperar a chegada, na semana que vem, de ministros de Meio Ambiente e dos chefes de Estado nos últimos dias da conferência, que termina no dia 18 de dezembro.

"O tempo para declarações formais acabou. O tempo para falar novamente sobre posições conhecidas ficou no passado", afirmou o Yvo de Boer, chefe do Secretariado para Mudanças Climáticas da ONU. "Copenhague só será um sucesso se resultar em ações significativas e imediatas." Dentre essas decisões está a proposta da criação de um fundo de US$ 10 bilhões anuais, pelos próximos três anos, para ajudar os países pobres a criarem estratégias para as mudanças climáticas. Depois desse prazo, centenas de bilhões de dólares serão necessários a cada ano para que o mundo estabeleça um novo caminho energético e se adapte às alterações do clima.

"O acordo que convidamos os líderes a assinarem vai afetar todos os aspectos da sociedade, da mesma forma que acontece com as mudanças climáticas", disse o primeiro-ministro da Dinamarca, Lars Loekke Rasmussen. "Os negociadores não podem fazer isso sozinhos, nem os políticos. No final, a responsabilidade recai sobre os cidadãos do mundo, que, afinal, vão sofrer as consequências fatais se falharmos em agir."

Um estudo divulgado ontem pelo Programa de Meio Ambiente da ONU indica que as promessas de países industrializados e grandes nações em desenvolvimento de redução de emissão de gases de efeito estufa não chega ao nível que, segundo os cientistas, é necessário para evitar que a média das temperaturas suba mais do que 2 graus Celsius.

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