O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) não pretende mudar sua estratégia de atuação, baseada na ocupação de terras, por conta da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) instalada na quarta-feira no Congresso para investigar a organização.

Nós queremos aproveitar a CPI para fazer um grande debate público sobre os problemas de áreas da reforma agrária. É por isso que o MST continua com o mesmo planejamento de luta para o próximo ano, afirmou o integrante da coordenação nacional do MST, João Paulo Rodrigues, depois de participar do lançamento do relatório Direitos Humanos no Brasil.

Em entrevista à Agência Brasil, ele disse que o movimento quer que a CPMI inicie os trabalhos o quanto antes para que o assunto possa ser resolvido e retirado de pauta. O quanto antes ela [a CPMI] se resolver, é muito melhor para nós do que ficar essa pauta permanente na imprensa, ressaltou. Rodrigues reafirmou que o movimento não tem medo do que possa ser encontrado pela CPI.

Crítica ao governo

O líder do MST também criticou a atuação do governo federal em relação à reforma agrária. O governo Lula teve assuntos que avançaram com muita contundência, assuntos importantes. Mas teve assuntos que foram um desastre e a reforma agrária é um desses que não avançou em nada.

Segundo Rodrigues, a falta de sucesso no processo de redistribuição de terras ocorre por uma decisão política e um compromisso do governo com setores do agronegócio e até mesmo com o latifúndio improdutivo.

Por isso, o movimento pretende se organizar no próximo ano para cobrar promessas que teriam sido feitas pelo governo. No último ano do governo Lula, queremos cobrar os compromissos e as promessas feitas para melhorar as condições de vida nos assentamentos, destacou.

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