Coordenador de Direitos Humanos irá acompanhar caso de jovem torturado

RIO DE JANEIRO ¿ O coordenador-geral de Combate à Tortura da Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República, Pedro Montenegro, virá ao Rio nesta semana para acompanhar o caso do jovem, de 16 anos, que teve 70% do corpo queimado por três militares. O jovem foi torturado na última quarta-feira após ter invadido um quartel do Exército com um amigo para fumar maconha.

Redação |

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Na última sexta-feira, Montenegro solicitou ao ministro da Defesa, Nelson Jobim, e à procuradora-geral da Justiça militar, Cláudia Márcia Ramalho Moreira Luz, uma apuração da denúncia e determinação na adoção das medidas necessárias.

Se confirmados os fatos, trata-se de prática merecedora de veemente repúdio e medidas imediatas que coíbam essa manifestação de explícita violação à dignidade da pessoa humana e expressão inaceitável da cultura do flagelo da tortura em nosso país, declarou o coordenador-geral.

De acordo com a denúncia, o adolescente teve o corpo queimado por três soldados da 9ª Brigada de Infantaria Motorizada do Exército após ser flagrado fumando maconha dentro do quartel com um amigo. Eles teriam pulado o muro de uma área desativada da unidade para usar a droga. De acordo com o adolescente, o amigo conseguiu fugir, enquanto ele teria sido agredido e levado choques. Logo após, os soldados teriam jogado um ácido sobre seu corpo e ateado fogo

AE

Jovem teve 70% do corpo queimado, mas não corre risco de morte

O jovem está internado no Centro de Tratamento de Queimados (CQT) do Hospital Estadual Pedro II, em Santa Cruz, zona oeste do Rio, com queimaduras de primeiro e segundo graus. A unidade informou que o estado de saúde do rapaz é regular e ele não corre risco de morte. No entanto, ele pode perder a visão do olho esquerdo.

Na semana passada, o presidente da Comissão de Direitos Humanos da Assembléia Legislativa do Rio (Alerj), deputado estadual Alessandro Molon (PT), visitou o adolescente. O parlamentar entrou em contato com Montenegro, solicitando a abertura de um procedimento para a investigação do caso e considerou o caso como uma barbaridade.

É uma aberração que soldados do Exército Brasileiro façam uma barbaridade desta com um jovem que foi encontrado cometendo um delito. A sociedade não pode permitir que autoridades se comportem como bandidos. Se eles estivessem preocupados em fazer valer a lei, teriam conduzido o jovem à delegacia e não o torturado, declarou.

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