Controle de solventes é a causa do oxi, diz Polícia Federal

Para diretor-geral da PF, falta de produtos para refinar cocaína e crack é um dos motivos para o aparecimento do oxi

Ricardo Galhardo, iG São Paulo |

O surgimento do oxi, droga que é um subproduto da coca mais barato e letal que o crack, é uma consequência do trabalho feito pela Polícia Federal no controle dos insumos usados no refino e produção de drogas. A opinião é do diretor-geral da Polícia Federal (PF), Leandro Daiello Coimbra. Segundo ele, a PF articula com outros países da América do Sul ações sincronizadas também para o controle dos insumos usados na produção de entorpecentes.

Divulgação
Droga apreendida no Rio Grande do Sul
“O que está sendo chamado de oxi é combatido como se combate o crack e a cocaína porque é uma variação destes produtos. É a falta de insumos para o refino que gera este subproduto”, disse Daiello.

Tanto o crack quanto o oxi são feitos a partir dos restos do refino da cocaína. Enquanto a produção do crack leva amoníaco e bicabornato de sódio, o oxi é preparado com cal virgem e querosene ou gasolina.

Os objetivos são baratear a produção e, segundo a PF, driblar o controle policial sobre os insumos. Tanto a acetona, usada no refino da cocaína, quanto o bicabornato, amônia (base do amoníaco), cal virgem, querosene e gasolina estão na lista de 146 produtos controlados definida pela portaria 1247/03 do Ministério da Justiça.

“Estamos pegando forte nos insumos. É um controle que aumentará mais, cada vez mais, e se Deus quiser vamos conseguir sincronizar com outros países da América do Sul”, disse o diretor-geral da PF.

Segundo números da PF, a criação da lista de produtos controlados multiplicou as apreensões de insumos usados pelo narcotráfico nos últimos anos. O número de empresas fiscalizadas subiu de 164 em 2004 para 1.050 em 2008 enquanto as autorizações especiais para utilização de produtos controlados caiu de 31 para três no mesmo período.

As apreensões de produtos controlados líquidos subiram de 1,4 mil litros em 2004 para 37 mil litros em 2008. As notificações a empresas cresceram de 292 para 2.131 no mesmo período. Entre 2006 e 2010 foram apreendidos 862.848 kg de produtos controlados sólidos usados como solventes.

O oxi entrou no Brasil através do Acre, provocou mortes em Estados do Nordeste como o Piauí e chegou a São Paulo no início deste ano. Nesta quinta-feira a polícia gaúcha anunciou que fez a primeira apreensão da droga na região Sul .

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