Um dia antes do debate a ser promovido nesta quinta-feira pelo Clube Militar para discutir a Lei de Anistia, o presidente da entidade, general Gilberto Figueiredo, subiu o tom das críticas às declarações do ministro da Justiça, Tarso Genro - que defendeu na semana passada a punição a agentes do Estado que violaram os direitos humanos durante o regime militar -, e também atacou o PT.

Segundo o general, se o ministro "faz questão de lamber feridas", que ponha de lado as que já estão "em processo de cicatrização e volte-se para algumas mais recentes, ainda à espera de esclarecimento", por terem sido supostamente "blindadas pelo governo".

Entre essas "feridas" que, avalia, devem ser trazidas à discussão pública, Figueiredo listou o assassinato do prefeito de Santo André Celso Daniel, o escândalo do mensalão e "os indícios de ligações de membros da cúpula governamental com as Farc".

Ao se referir às Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, o presidente do Clube Militar fez um duro ataque. "Há uma estranha afeição dos companheiros do ministro (Tarso) com o seqüestro e os seqüestradores, um dos crimes mais infames, ao lado da tortura que o ministro tanto abomina."

O debate em contra-ofensiva ao evento promovido por Tarso questionando a Lei de Anistia será realizado nesta quinta-feira à tarde, no Clube Militar, no Rio. O encontro, intitulado "A Lei da Anistia, alcance e conseqüências", contará com as palestras do ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Waldemar Zveiter e do general Sérgio de Avellar Coutinho. O ministro Tarso foi procurado, mas disse que não comentaria as declarações de Figueiredo. As informações são do jornal "O Estado de S. Paulo".

Leia mais sobre: Genro

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.