Contra a pedofilia, Igreja vai elaborar cartilha

Manual ainda trará orientações sobre homossexualidade na Igreja

iG São Paulo |

AE
Dom Dimas Lara Barbosa e Dom Geraldo Lyrio Rocha concedem entrevista coletiva
Ainda não há prazo para ser finalizado, mas o anúncio já foi feito. A Conferência Nacional de Bispos do Brasil (CNBB) criará um manual para orientar bispos em casos de abuso sexual contra crianças e adolescentes em suas dioceses.

Segundo a CNBB, a cartilha trará, além da parte teórica, com informações sobre a legislação civil e canônica, instruções práticas como o afastamento imediato de padres que cometam o crime.

A iniciativa – anunciada nesta quinta-feira no encerramento da 48ª Assembléia da CNBB - vem depois de uma série de acusações contra representantes da Igreja. Em um dos escândalos mais recentes, ex-coroinhas gravaram um vídeo em que um monsenhor da cidade de Arapiraca, em Alagoas, foi flagrado mantendo relações sexuais com um deles.

Casos semelhantes vieram a público em todo o mundo. O papa Bento 16, em um dos discursos mais contundentes, disse nesta semana que a crise de abusos sexuais contra crianças cometidos por padres devem fazer a Igreja reconhecer a "terrível" verdade de que essa grande ameaça não vem de inimigos externos, mas do "pecado dentro da Igreja".

"Hoje nós vemos de uma forma verdadeiramente terrível que a grande opressão da Igreja não vem de inimigos externos, mas nasce do pecado dentro da Igreja", disse. "A Igreja tem uma profunda necessidade de aprender a penitência, de aceitar a purificação, de aprender o perdão e a necessidade de justiça", completou.

O presidente da CNBB, dom Geraldo Rocha, afirmou que os casos exigem “medidas urgentes”. A CNBB, porém, nesta quinta-feira apenas divulgou um documento em que reconhece o “mal irreparável causado às vítimas”, pede “perdão” e oferece “apoio espiritual e psicológico”.

Homossexualidade

O documento divulgado pela CNBB fala ainda sobre a homossexualidade. O texto afirma que a Igreja não pode admitir ao seminário e às ordens sacras aqueles que praticam a homossexualidade, apresentam tendências homossexuais profundamente radicadas ou apoiam a chamada cultura gay.

“A posição da CNBB não deve ser interpretada como discriminatória às pessoas que trazem características homossexuais. A Igreja tem o direito de estabelecer critérios para a formação de sacerdotes. O celibato deve ser adotado plenamente”, salientou dom Geraldo.

O secretário-geral da CNBB, dom Dimas Barbosa, ponderou que os critérios não dizem respeito apenas a homossexuais. “O mais importante é o compromisso que a pessoa assume com a igreja. Os mesmos critérios valem tanto para homossexuais como para heterossexuais”, destacou.

(*com informações da Agência Brasil)

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