Contos de fadas na vida real para enfrentar a gravidez de risco Por Fernanda Aranda São Paulo, 04 (AE) - A Branca de Neve estava com a pressão tão alta que precisou ser internada. A Cinderela não conseguiu controlar a diabete já na segunda semana de gravidez.

A Bela Adormecida teve filho prematuro e, todo dia, pega dois ônibus para visitar seu recém-nascido, que não tem data para sair do hospital.

Nas oficinas de conto de fadas, repetidas toda quarta-feira no Hospital Estadual Interlagos, extremo da zona sul de São Paulo, mulheres de verdade são transformadas em princesas de ficção e, assim, conseguem encontrar o ‘melhor remédio’ para enfrentar o risco de suas gestações.

A transformação não exige muita mágica. A ‘fada madrinha’, na verdade, é Ângela Margarida, contadora de histórias e coordenadora de humanização do hospital. É ela que, com jeitinho, chama as futuras mães que enfrentam alguma situação delicada de saúde, com risco de perder o bebê e a própria vida, para viajar pelo mundo da fantasia. No meio da roda e com voz delicada, conta as histórias infantis que muitas delas nunca escutaram, nem mesmo quando eram crianças.

Basta ela começar com o "Era uma vez..." e a imaginação das mulheres viaja. Na última quarta-feira, Graziele, de 15 anos, e Jacira, de 42, nem pareciam ter diferença de idade. As duas, pelo menos nas palavras de Ângela, eram protagonistas do conto "A Bela Adormecida", dividido com outras oito mulheres que escutavam a mesma história. Ao final, após Ângela disparar o "quem quiser que conte outra", os livros eram oferecidos. Muitas nem sabem ler direito, mas prometem contar a história que ouviram para seus filhos e, assim, fazer com que surja uma nova legião de leitores.

Elisabete Machion, assistente técnica do Hospital Interlagos, garante que os efeitos dos contos de fadas são reais. "A gravidez de risco traz uma carga de estresse muito grande", conta. "Percebemos que, com a oficina, elas ficam mais calmas, aceitam o momento difícil que enfrentam e passam a encarar a maternidade de outra forma", diz, contabilizando o sucesso de dois meses do programa.

Um banco de dados está sendo formado com os resultados da oficina. Após um ano, o objetivo é mapear os efeitos da prática.O segredo do projeto é que as gestantes podem interferir nas histórias, mudar o destino das princesas, imaginar outro destino para a própria vida. Na última quarta-feira, foi unânime: todas queriam, com varinha de condão, conseguir salvar seus bebês.

Boxe:
FRASES
A gravidez de risco traz uma carga de estresse bem grande. Com as oficinas, as mães ficam mais calmas " - ELISABETE MACHION TÉCNICA DO HOSPITAL INTERLAGOS

"Elas aceitam melhor o momento difícil que enfrentam e passam a encarar a maternidade
de uma outra forma" - IDEM

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