Conto de Allan Poe vira curta em site de cinéfilos

Mesmo sem ter ou mesmo entender de computador nem ter e-mail próprio, o professor universitário e escritor Marco Aurélio Lucchetti, filho de Rubens Francisco Lucchetti (roteirista de José Mojica Marins, o Zé do Caixão, e de filmes e livros de terror), está lançando oficialmente, na internet, o Jornal de Cinema, sobre filmes clássicos, cults e obscuros (os pouco conhecidos). Nada de filmes comerciais.

Agência Estado |

O jornal, na verdade, já existe há um ano, mas não tinha sido divulgado. Não existe controle ou preocupação em contar os acessos de internautas. "A gente faz é por prazer mesmo", avisa Marco Aurélio. A edição atual - e especial - traz artigos sobre o norte-americano Edgar Allan Poe, nascido há 200 anos. "Se fosse publicado em papel, daria cerca de 300 páginas", diz ele, justificando a alternativa econômica.

Em parceria com o web designer Luiz Paulo Tupynambá, o jornal tem o seu link na página do Cineclube Cauim e trará, a partir desta edição, curtas-metragens produzidos a partir da reativação do Centro Experimental de Cinema de Ribeirão Preto. Esse centro existiu entre 1960 e 1963, sob coordenação do pai, RF Lucchetti (como assina), em parceria com o artista plástico Bassano Vaccarini, já falecido. Cada curta tem duração de cerca de cinco minutos e está sendo gravado de forma digital para veicular na internet e em telefones celulares. A meta é gravar dois por mês. Em janeiro, um concurso de roteiros será lançado, com tema livre, e seis serão escolhidos para produção no segundo semestre de 2010.

No Jornal de Cinema, Marco Aurélio destaca dois textos do pai sobre Poe: um discorre sobre a vida e obra do escritor e outro sobre os erros encontrados em "Os Crimes da Rua Morgue", considerado um dos primeiros contos policiais. O primeiro curta-metragem que estará no jornal online é "O Farol", baseado em conto inacabado de Poe, morto em 1849, que teve uma continuação cerca de cem anos depois, por Robert Bloch, autor do filme "Psicose", publicado em 1953 na revista Fantastic, nos Estados Unidos. "Não se sabe onde Poe terminou e Bloch continuou o conto e resolvemos filmá-lo, e não escrever um artigo sobre esse tema", lembra Marco Aurélio, que fez o roteiro com o pai e a direção ficou com Tupynambá. O outro curta já pronto é "Annabel Lee", sobre uma poesia de Poe. Marco Aurélio e Tupynambá editam os filmes com os equipamentos do Programa Cultura Viva, do Ministério da Cultura, no Templo da Cidadania, em Ribeirão Preto.

Marco Aurélio está empolgado com os novos projetos online e pela sequência ao trabalho iniciado pelo pai em 1960 e que produziu 14 curtas, usando várias técnicas (desenhos feitos na própria película, animação de objetos inanimados, entre outros). Tanto que outros dois curtas já estão prontos. "O Telefonema" e "Certo Dia no Castelo do Drácula..." em breve estarão disponíveis aos internautas. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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