Contas de Instituto da primeira-dama eram pagas com propina, diz Durval

O ex-secretário de Relações Institucionais do governo do Distrito Federal Durval Barbosa contou, em depoimento prestado no ultimo dia 4 de dezembro ao Ministério Público Federal, que 10% do dinheiro da propina seriam usados para pagar as contas do Instituto Fraterna, associação civil presidida pela primeira-dama do Distrito Federal, Flavia Péres Arruda. Flavia, casada com o governador do DF, José Roberto Arruda, criou a entidade em abril deste ano.

Matheus Leitão, iG Brasília |


No depoimento aos investigadores, obtido pelo iG , Durval contou que "há aproximadamente seis meses o Instituto Fraterna teve as despesas pagas com o dinheiro arrecadado junto às empresas de informática". O ex-secretario disse ainda que o "governador Arruda determinou, por intermédio de Omézio Pontes, que autorizasse o pagamento com a parte correspondente a 10% da propina".

Omézio, assessor de imprensa do governador, apareceu em vídeo divulgado pelo iG no dia 28 de novembro colocando mais de R$ 100 mil numa pasta preta. De acordo com Durval, Omézio buscava o dinheiro a pedido de Arruda.

Em momento algum o ex-secretário do governo Arruda acusa a primeira-dama ou qualquer dirigente do Instituto Fraterna de integrar o esquema de corrupção descoberto no Distrito Federal. O que Durval informou ao Ministério Público é que o governador determinava a transferência para o instituto de parte do dinheiro da propina. Não se sabe até agora como o Fraterna contabilizava de maneira regular o ingresso de recursos recebidos em dinheiro sem origem.

O site do Instituto Fraterna ( www.institutofraterna.org.br ) informa que a entidade é "uma associação civil sem fins econômicos, entidade com total autonomia administrativa e financeira, sem caráter político-partidário". Seu conselho de administração é integrado por sete pessoas, entre as quais Anna Christina Kubitschek Pereira, mulher do vice-governador Paulo Octávio.

Ao Ministério Público, Durval revelou ainda que "acumulava consigo o dinheiro até o momento em que recebia as ordens do governador Arruda indicando o modo como esse dinheiro deveria ser empregado".  O ex-secretário entregou aos investigadores notas fiscais do dinheiro repassado ao Instituto. "As notas comprovam o pagamento dos serviços prestados ao Instituto Fraterna com o dinheiro ilícito arrecadado pelo declarante (Durval), seguindo ordens do governador Arruda", diz o documento do ministério público.

Os 16 depoimentos obtidos pelo iG na sexta-feira foram prestados por Durval na primeira quinzena de dezembro a Sub-Procuradora Geral da República Raquel Elias Ferreira Dodge e aos promotores do ministério público do Distrito Federal Sergio Bruno Cabral Fernandes e Eduardo Gazzinelli Veloso. Foram tomados em São Paulo por motivo de segurança.  

O advogado José Gerardo Grossi reafirmou neste domingo, por meio da assessoria de imprensa do governador José Roberto Arruda, a nota enviada ontem ao iG, na qual rebate as acusações de Durval. Por meio da assessoria, a defesa de Arruda classificou as acusações de "infundadas", "irresponsáveis" e "caluniosas" .

Veja o volume 4 do inquérito (o depoimento sobre o instituto da primeira-dama está na página 50 e 51 do arquivo em pdf)

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