Contaminação ameaça famílias de conjunto habitacional em SP

Um laudo elaborado a pedido da Companhia Metropolitana de Habitação (Cohab) indica a possibilidade de riscos à saúde dos moradores de um conjunto habitacional de Heliópolis, zona sul da capital, por contaminação da área. Cerca de 1.

Agência Estado |

200 famílias vivem nos edifícios. A investigação, realizada no ano passado, apontou índices de toxicidade superiores ao aceitável no ar dentro das residências. Os prédios foram construídos sobre um depósito de entulho, em uma área vizinha de dois depósitos de combustíveis.

O laudo, obtido pelo Jornal da Tarde , diz ser “bem provável” que a concentração de benzeno e naftaleno no solo e na água subterrânea do local “esteja ocasionando efeitos tóxicos aos ocupantes residenciais do Conjunto Habitacional Heliópolis L”, como é chamado. É dentro das moradias que a existência dessas substâncias em quantidades consideradas “anômalas” põe em risco os moradores. O índice de toxicidade do ar em “ambientes internos” apurado na pesquisa é de 2,1, “superior ao aceitável, que é de 1”.

O benzeno, poluente ambiental produzido por um grande número de fontes, é cancerígeno. “Não há um limite de tolerância. Existem riscos aceitáveis, mas em qualquer concentração ele pode causar dano”, diz a integrante da Comissão Nacional Permanente do Benzeno e pesquisadora da Fundação Jorge Duprat Figueiredo de Segurança e Medicina do Trabalho (Fundacentro) Arline Sydneia Abel Arcuri. A substância provoca danos à medula óssea, podendo levar à leucemia.

A pesquisadora não identificou qual é o risco apresentado pelas concentrações encontradas no conjunto habitacional. O laudo aponta que, apesar do risco tóxico, não há “risco de câncer” no ar.

Menos tóxico, o naftaleno é considerado como “possivelmente cancerígeno”, segundo Arline. Já o diretor do Centro de Assistência Toxicológica (Ceatox), da USP, Antônio Wong, diz que o naftaleno pode causar, em altas concentrações, sufocação, mas não é cancerígero.

No laudo, a empresa de engenharia ambiental responsável ressalva que ainda são necessários mais estudos para melhor mensurar o perigo a que os moradores são expostos, bem como “a real necessidade de intervenção no local”. A Cohab abriu licitação para fazer nova investigação, “com avaliação dos riscos para a saúde”.

A Secretaria de Estado da Saúde informou não ter sido registrado, no Hospital de Heliópolis, nenhum caso de doença que possa ser diretamente ligado à situação em que vivem os moradores do conjunto. As informações são do Jornal da Tarde.

AE

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