Por Rodrigo Viga Gaier RIO DE JANEIRO (Reuters) - A crise econômica global e o maior volume de chuvas recentemente, que encheram os reservatórios de hidrelétricas, diminuíram o consumo de gás no Brasil e, segundo a Petrobras, já há sobreoferta do produto.

A diretora de Gás e Energia da Petrobras, Maria das Graças Foster, afirmou que há atualmente um excedente de 14 milhões a 16 milhões de metros cúbicos de gás ao dia.

Segundo ela, o consumo médio de gás no Brasil, sem incluir as térmicas, caiu 23,5 por cento entre outubro e janeiro. O consumo de janeiro foi de 28,9 milhões de metros cúbicos enquanto que em outubro foi de 37,8 milhões.

"Estamos sentindo uma queda atípica. Certamente caiu um pouco a mais do que o normal nesta época do ano", disse Foster a jornalistas durante evento para detalhas os planos da estatal para o setor. "Essa retração tem influência decisiva da indústria, que sente os efeitos da crise financeira", acrescentou a executiva.

Ela destacou que nos primeiros dias de fevereiro a demanda média de gás foi de 29,1 milhões de metros cúbicos ao dia. Segundo a executiva, já nota-se uma pequena recuperação do consumo.

Com a redução na demanda, a importação de gás boliviano está em 20 milhões de metros cúbicos ao dia. O contrato prevê uma compra diária máxima de 30 milhões de metros cúbicos.

Graça Foster acredita que a partir de abril, após o período de chuvas, a demanda deve reaquecer com o retorno da operação das usinas termelétricas. "Pelo menos é o que temos acertado com a Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica), e vamos trabalhar com essa perspectiva", observou.

EXTENSÃO DE ACORDO COM BOLÍVIA

Apesar da sobreoferta de gás e do esperado aumento na produção de gás nacional com os campos na camada pré-sal, a Petrobras pretende estender o contrato com a Bolívia para a compra de gás até 2020.

Graça Foster afirmou que a estatal quer renovar o contrato com os bolivianos, mas as condições contratuais serão diferentes.

"Sou absoluta defensora do gás da Bolívia. Aquele gás é nosso e tem um custo de produção interessante", avaliou.

"Não espero que o pré-sal substitua o gás da Bolívia. A Petrobras pretende fazer um novo contrato, mas em bases diferentes", acrescentou ela.

Foster descartou uma eventual autosificiência na produção de gás nesta década.

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