RIO DE JANEIRO (Reuters) - O consumo de álcool no Brasil cresceu 52,94 por cento no primeiro semestre deste ano em relação ao mesmo período de 2007, igualando a demanda nacional por gasolina, informou nesta quarta-feira a Agência Nacional do Petróleo Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Segundo a agência, o preço do etanol no período caiu cerca de 12 por cento, forçando uma queda no preço da gasolina de 5 por cento, de acordo com a ANP.

O consumo de álcool hidratado no país subiu de 3,9 bilhões na primeira metade de 2007 para 6 bilhões de litros de litros no primeiro semestre deste ano, com alta de 52,94 por cento. E a demanda de álcool anidro aumentou de 2,74 para 3 bilhões de litros no período, uma alta de 9,82 por cento.

O consumo de gasolina A (pura), caiu de 9,1 bilhões para 9 bilhões de litros, ou 1,59 por cento. Já o de gasolina C (com adição de álcool) no período subiu de 11,9 bilhões para 12 bilhões de litros, um aumento de 1,03 por cento.

Segundo o superintendente de abastecimento da ANP, Edson Silva, é bem provável que até o final do ano o consumo total de álcool no Brasil supere o volume de gasolina comercializada no país.

'Alguns fatores explicam esse aumento do consumo de álcool no Brasil. O principal deles é o fator preço', disse Silva.

'Contribuem também a ampliação da frota brasileira bicombustível e o aumento da fiscalização para tirar alguns volumes (de álcool) da ilegalidade.'

Segundo Silva, apesar do aumento do consumo, o preço do álcool ao consumidor brasileiro ficou 12,1 por cento mais barato em relação ao mesmo período do ano passado.

Ele destacou que o avanço do álcool no mercado brasileiro, com preços mais competitivos, está forçando uma freada no preço da gasolina ao consumidor.

Nos primeiros seis meses do ano, o preço da gasolina ficou em média 5,7 por cento mais barato no Brasil.

'Sem dúvida, isso é um reflexo do preço mais barato do álcool ao consumidor. A despeito do aumento da gasolina autorizado pelo governo neste ano, o combustível ainda assim ficou mais barato ao consumidor por efeitos concorrenciais', disse Silva.

Ele acresentou que não há espaço para que a Petrobras repasse para o mercado interno a alta do preço internacional do pretróleo ocorrida nos últimos meses.

'Não tem como, senão o consumidor corre para o álcool.

Temos estatísticas ainda informais que mostram que está havendo um aumento da conversão de veículos a gasolina para veículos a álcool. E tem gente até assumindo o risco de colocar álcool no motor a gasolina', afirmou Silva.

ÁLCOOL MUDA DE NOME

O superintente da ANP afirmou que ainda esse mês vai assinar uma resolução a pedido da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) determinando que o álcool passe a se chamar etanol no Brasil.

'Acho que esse é o caminho natural, afinal de contas temos que buscar um padrão internacional. Em todo o mundo se fala etanol', disse Silva.

Segundo ele, mais de 30 mil postos de combustível espalhados pelo Brasil terão até o fim do ano para mudar o nome do combustível nas bombas.

Silva não acredita que a mudança possa criar uma confusão na cabeça do consumidor.

'O consumidor é inteligente e aprende rápido. O que mais ele entende é do preço, e é isso o que importa', afirmou.

(Reportagem de Rodrigo Viga Gaier)

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.