SÃO PAULO - Apesar do aumento populacional, o consumo de água na Região Metropolitana de São Paulo vem diminuindo nos últimos dez anos. A média mensal baixou 23%, de 17,4 m³ por residência, em 1998, para 13,4 m³ por residência, em maio deste ano, segundo a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp).

No mesmo período, o número de imóveis cadastrados aumentou de 3,3 milhões para 5,1 milhões, 55% a mais.

O diretor metropolitano da Sabesp, Paulo Massato, justifica a diminuição do consumo nas residências pela conscientização da população no uso racional da água, na existência de núcleos familiares menores, que alteraram os hábitos, nos equipamentos cada vez mais modernos, que evitam o desperdício, além de ações de combate às perdas desenvolvidas pela própria companhia.

Mas Julio Cerqueira Cesar Neto, engenheiro ambiental e ex-presidente da Agência da Bacia do Alto Tietê, não acredita nos dados sobre a diminuição do consumo.

"A aritmética é marota. Essa redução está fora da realidade. Na minha opinião, a conta é outra: a Sabesp afirma que não faz racionamento e atende 100% da população. Entretanto, só dispõe de 66 m³/s, quando na realidade esses 100% hoje demandariam 73 m³/s. Ou seja, com o volume produzido só estão atendendo 90% da população. Ficam 2 milhões de pessoas sem água. Como eles acham que estão atendendo 20 milhões com os 66 m³/s, número que equivale a 90% de 73 m³/s? Dividindo um número menor de vazão (66 m³/s) por um número maior de pessoas dá mesmo um consumo menor por pessoa", explica o engenheiro. As informações são do jornal "O Estado de S. Paulo".

Leia mais sobre: água

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.