Consumo avança mas saneamento e educação ficam estagnados

Rede coletora de esgoto não acompanha aumento no número de domicílios no País e retrocede para 59,1% dos lares em 2009

Sabrina Lorenzi, iG Rio de Janeiro |

A fotografia completa mais recente do Brasil mostra uma nação que avança em consumo e posse de bens, mas estagnada em questões como saneamento e educação. A pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) revela diminuição, ainda que pequena, no percentual de domicílios com rede coletora ou fossa séptica ligada à rede coletora, de 59,3% em 2008 para 59,1% em 2009. O dado mostra que as obras de infraestrutura no País não acompanharam o crescimento do número de domicílios neste período - da ordem de 1 milhão.

O abastecimento de água e a coleta de esgoto também pouco avançaram. O analfabetismo ficou praticamente estagnado - são 14,1 milhões de analfabetos, segundo o retrato da Pnad.

Por outro lado, favorecida pelo aumento da renda e formalização crescente no mercado de trabalho, a população que antes não tinha acesso a bens como televisão, máquina de lavar, computador e telefone passou a tê-los em casa. De 2008 para 2009, o acréscimo no número de domicílios com posse de algum tipo de telefone, por exemplo, foi de 2,1 milhões, e dos que possuíam somente telefone móvel celular foi de 2,5 milhões. De 2004 para 2009, a proporção de domicílios que tinham telefone no total de domicílios investigados passou de 65,2% para 84,3%. E a proporção de domicílios que possuíam somente telefone móvel celular passou de 16,5% para 41,2%.

Automóveis e motos também se tornaram mais acessíveis, assim como o uso da internet. Em 2009, o contingente de pessoas de 10 anos ou mais que declararam ter utilizado a Internet (67,9 milhões) cresceu 21,5%, representando um acréscimo de 12 milhões de pessoas em relação a 2008 (55,9 milhões). O DVD existe em 72% dos lares, mais presente do que rede de esgoto.

Indagado sobre o avanço da cobertura de internet em detrimento ao da rede de saneamento, o presidente do IBGE, Eduardo Nunes, afirma que é muito mais fácil aumentar uma rede virtual do que a infraestrutura. Também lembra que a internet está relacionada a pessoas com renda maior do que a população sem saneamento, o que torna mais fácil a universalização da rede virtual.

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