Consultoria eleva Índice de Estabilidade Política do País

A popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a forte arrecadação federal elevaram o Índice Global de Estabilidade Política (GPRI, na sigla em inglês) do Brasil de 66 pontos em março para 67 pontos em abril. O indicador é elaborado pela empresa de consultoria Eurasia Group, sediada em Nova York.

Agência Estado |

A alta verificada em abril não levou em conta a decisão da agência de classificação de risco Standard & Poor's de elevar o rating do Brasil a grau de investimento, na última quarta-feira, o que certamente terá reflexos positivos no mês de maio, salienta o Eurásia.

A consultoria avalia que a alta popularidade de Lula provavelmente reduzirá pressões políticas por uma política monetária menos restritiva ou por medidas para compensar aumentos da taxa básica de juros, como propostas intervencionistas no câmbio. Segundo a última pesquisa CNT/Sensus, o porcentual dos entrevistados que considera o governo Lula "ótimo" ou "bom" chegou a 57,5% em abril, um ponto a mais do que em janeiro de 2003, quando Lula iniciou seu mandato. Essa avaliação positiva ajuda o governo a enfrentar dificuldades na economia e deixa o presidente menos desconfortável com medidas impopulares, como o aumento dos juros.

Já os números fortes da arrecadação federal - que em março foi de R$ 51,001 bilhões, recorde para o mês - aumentam a margem de manobra do governo para lidar com temas difíceis. Um bom exemplo disso pôde ser visto no caso do reajuste dos combustíveis, também na quarta-feira, quando o governo decidiu reduzir a Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) para minimizar o impacto inflacionário. "Tal decisão teria sido mais bem mais difícil de justificar em um contexto de maior vulnerabilidade fiscal", avalia o analista do Eurasia Group, Erasto Almeida.

A má notícia apontada pela consultoria vem no campo da reforma tributária, com a nomeação do deputado federal Sandro Mabel (PR-GO) para a relatoria do projeto na comissão especial da Câmara, apesar dos esforços do governo para que o ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci fosse o relator. Palocci será o presidente, mas Mabel será o principal condutor do processo. Para o analista do Eurasia, "como (Mabel) não tem as mesmas qualidades de Palocci, as chances de aprovação de uma boa proposta caíram consideravelmente".

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