Consultor ensina como evitar micos nas festas de final de ano Por Ciça Vallerio São Paulo, 10 (AE) - Chegou a temporada das festas. Pipocam convites para encontros sociais e, neste começo de dezembro, grande parte das pessoas já se prepara para participar do tradicional amigo secreto com os colegas de trabalho ou parentes.

Na afobação de aproveitar ao máximo as comemorações, muitos cometem gafes, que podem manchar uma reputação ou, no mínimo, criar mal-estar. "Por mais festivo que seja dezembro, não significa que liberou geral", avisa Fabio Arruda, autor do recém-lançado "Faça a Festa e Saiba o Porquê - Etiqueta e Comportamento do Carnaval ao Réveillon", da Editora Senac.

O consultor frisa que algumas regras simples ajudam a evitar muitos constrangimentos. Em nome da modernidade, acredita Fabio, as normas sociais foram se extinguindo, criando uma informalidade perniciosa. Nestes tempos de "tudo pode", as pessoas sentem falta de uma direção ou, como observa, de limites. "Só consegue ter jogo de cintura ou fazer exceções à regra quem conhece bem etiqueta, porque age com segurança e suavidade."

Um cuidado especial deve ser tomado no momento do amigo secreto e da confraternização de fim de ano da empresa. Atitudes impensadas podem destruir uma ilibada imagem profissional. O risco mais comum é a bebedeira. "Só devemos nos soltar entre amigos, que são aqueles em quem confiamos e que nos protegem nos momentos de fragilidade, como acontece quando se está de porre", avisa. "Trabalho não é para fazer amigos íntimos, mas sim para ter relações de afetividade amistosas", lembra.

As celebrações de Natal e de réveillon contam com muitos festeiros natos. O problema é quando a pessoa não gosta de receber nem de participar dessas comemorações, seja lá por qual motivo for. Nesses casos, Fabio diz que não se deve criar obrigações, especialmente por se tratar de festa. "Já vi altas brigas de casais por causa do estresse que isso pode trazer", revela. "Alegria pré-fabricada não funciona nunca e ninguém deve se sentir inferior por não querer participar desses ritos sociais." Mas se precisar ir a algum evento contra a vontade, evite ficar de cara feia, com mau humor. Siga a regra clássica: seja ao menos educado e respeite os anfitriões.

Em meio a tantos convites, resta a dúvida: qual é obrigatório e qual dá para escapar? Segundo o especialista em etiqueta, os eventos profissionais devem contar com a presença do convidado. E aqui vale aquela passadinha rápida, que já conta pontos. "Aproveite para se apresentar e agradecer, por exemplo, àquela pessoa da empresa que sempre foi gentil, mas que você só conhece por telefone", sugere Fabio. "Usufrua desse momento para transformá-lo realmente numa confraternização." É para isso, aliás, que servem as festas de fim de ano promovidas pelas empresas.

Mais um alerta: evite transformar as festas de Natal e réveillon numa gincana, dando aquela famosa "passadinha" em várias celebrações. O corre-corre entre uma e outra deixa o convidado irritado e o anfitrião, inevitavelmente, chateado. Como o dia 25 é a data destinada à família, negocie com qual sogra vai jantar e almoçar, já que, muitas vezes, é difícil juntar as famílias.

No réveillon - quando, normalmente, se curte com os amigos -, escolha apenas uma festa. Mas como recusar os outros convites? "Saber dizer não é o exercício mais difícil da face da terra", concorda Fabio. "Há maneiras, porém, de fazer isso sem magoar as pessoas", ressalva.

Comece dizendo, por exemplo: "Desculpe, mas já me comprometi de passar na casa do fulano." Argumente também que é melhor não ir do que dar a tal passadinha rápida, mesmo que o convidado insista nisso. Afinal, que graça tem ficar preocupado, olhando para o relógio?

Fabio avisa que esse é o tipo de decisão que pode parecer dura, mas, na verdade, é um sinal de respeito à pessoa com quem você se comprometeu. Para amenizar o mal-estar, ele sugere mandar entregar um mimo, como forma de agradecimento ao convite. Cuidado, porém, com presentes como chocolate, que derrete no calor de dezembro.

Boxe:
AMIGO SECRETO
No trabalho, sua participação não é obrigatória. Porém, pode ser extremamente desagradável sua recusa em participar da brincadeira. Avalie bem a situação.

Na hora de entregar os presentes, tanto entre os colegas de trabalho como entre os familiares, nem pensar em fazer piadinhas desagradáveis sobre a pessoa.

Com relação ao valor do presente, é fundamental permanecer dentro do combinado, para não provocar constrangimentos entre aquele que recebeu um presente simples e outro que ganhou algo bem sofisticado.

Respeite os limites de cada um. Tanto quem gosta de fazer pantomima como quem prefere simplesmente entregar o presente, de maneira discreta.

NATAL
Não vá à festa dos outros de regime. Não tem sentido ficar só na saladinha. O anfitrião ficará ofendido, afinal, ele se esmerou para lhe oferecer o melhor. Ninguém vai ficar gordo do dia para a noite.

Elogie a decoração e a comida. Ao contrário do que muitos pensam, elogiar não é "lugar comum". Isso faz parte da etiqueta e é uma demonstração de carinho com o anfitrião.

Ao receber os convidados, não caia no chavão, dizendo: "não repare a bagunça" ou "se a comida não estiver boa, reclame com o bufê que a preparou". É cafona desmerecer tudo o que foi feito com dedicação, mesmo que você não tenha suado loucamente no fogão.

Defina o cardápio das festas comunitárias, combinando o que cada um vai levar. Não repetir prato é evitar constrangimento.

Decorar o ambiente nunca é cafona. Detalhes são demonstrações de carinho e, acima de tudo, divertem.

Não se prenda aos símbolos típicos do Natal, que não combinam com o clima do Brasil. Acender velas, por exemplo, fica lindo no inverno europeu, mas, no verão brasileiro, pode transformar o ambiente numa sauna.

Não tem nada mais anticlímax do que dar um vale alguma coisa, que é o mesmo que dar dinheiro na mão. O que importa é o sentimento que está por trás da tentativa de acertar o gosto da pessoa.

ANO NOVO
Não existe elegância sem conforto. Festa em praia, por exemplo, pede trajes apropriados ao clima - nada de salto agulha, mas sim rasteirinha.

Respeite o ritual do dono da festa. Quem não acredita na superstição da lentilha, por exemplo, não precisa fazer discurso contra. Não vai fazer mal algum dar algumas garfadas, pular ondas junto com todos, etc. Quem não gosta e não quer entrar no clima, que fique em casa.

Informe-se sobre como vai ser a festa. Descubra como deve ser o traje, se vai ter bebida suficiente ou aquela de que você gosta. Pior é chegar à festa e encontrar só refrigerante, quando o que você queria era tomar espumante ou vinho.

Caso a festa não tenha bebida alcoólica, muito menos a sua preferida, o melhor é levá-la, mas não antes de perguntar ao anfitrião se tudo bem. Mas sempre leve a mais. Para que o anfitrião não pense que é presente, avise: "como disse que só bebo espumante, trouxe para nós."

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