SÃO PAULO ¿ O Consórcio Via Amarela, responsável pelas obras da Linha 4 do Metrô de São Paulo, divulgou, nesta sexta-feira, um relatório em que rebate as acusações feitas pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) e diz que o desmoronamento da futura estação Pinheiros foi imprevisível. No dia 12 de janeiro de 2007, uma cratera de 80 metros de diâmetro por 30 metros de profundidade se abriu na zona oeste da capital e matou sete pessoas. Conforme o laudo, o acidente foi causado pela ocorrência de 3 fatores geológicos em circunstâncias ¿peculiares e inusitadas¿.

AE

Acidente deixou sete mortos em janeiro de 2007

Em conversa com jornalistas nesta sexta-feira, o engenheiro e representante legal do consórcio Via Amarela, Marcos Pelegrini, reafirmou que os fatores geológicos que causaram o colapso não poderiam ser identificados. Por isso, um novo projeto não teria alterações em relação ao primeiro. "Nada seria diferente", disse o engenheiro. "A resposta do acidente está na imprevisibilidade, na fatalidade".

O relatório de mais de 800 páginas, produzido por engenheiros da equipe técnica do consórcio, diz que o acidente aconteceu por haver uma rocha dura no centro do túnel e rochas mais fracas nas extremidades, que prejudicaram o processo de arqueamento do túnel. "Ao contrário do que se previa, o maciço não arqueou no túnel e o concreto não foi feito para suportar esta carga", afirmou.

A concessionária afirma que também contribuiram para a tragédia a presença do mineral biotita, que se fragmenta com facilidade, e foi encontrado em posição e distribuição completamente diferentes das previsões feitas em estudos anteriores, e da metabásica, material geológico mole ao longo do túnel. "Se elas fossem identificadas o projeto seria todo diferente", afirmou Pelegrini.

Segundo ele, a biotita próxima à parede do túnel funcionou como "lubrificante" e facilitou a movimentação da carga.

O relatório do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), divulgado em junho, apresentou 11 causas para o desabamento, entre elas falhas de engenharia e inexistência de gestão de risco, planos de contingência e de emergência.

O consórcio se defende dizendo que mais de 20 sondagens foram realizadas no local, número que seria superior ao recomendado pelas técnicas de engenharia. No entanto, mesmo assim, a equipe diz não foi possível a identificação dos problemas com o solo.

No período em que antecede ao acidente, mesmo sendo tomadas todas as precauções e, trabalhando dentro da margem de segurança, não era possível prever o colapso, que aconteceu de forma abrupta, diz o laudo do consórcio.

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