Diante do aumento de reclamações e de notícias de mortes relacionadas a cirurgia plástica, o Conselho Federal de Medicina (CFM) decidiu fazer um protocolo com regras para profissionais da área. O documento, o primeiro do gênero a ser preparado pela entidade, deverá ser obrigatório e acessível ao paciente.

"Ele não vai ficar restrito aos profissionais", assegurou o coordenador da Câmara Técnica de Cirurgia Plástica, Antonio Gonçalves Pinheiro.

Em cinco anos, o número de recursos em processos envolvendo cirurgia plástica remetidos para o CFM subiu de 37 para 50. Com esse aumento, a especialidade, que estava em 6º lugar no ranking de recursos do CFM em 2005, passou a ocupar o 3º posição.

A proposta traz regras como a obrigatoriedade de fazer uma consulta pré-anestésica à checagem de equipamentos específicos do hospital ou do próprio médico. O profissional também será orientado a fazer checagem do pós-operatório, relatórios sobre a cirurgia, a duração da operação e o uso dos anestésicos. Passada a cirurgia, o paciente terá de ser esclarecido sobre procedimentos que devem adotar, desde posição na cama até as regras de visitas.

O documento deverá ainda traçar diretrizes sobre quais procedimentos devem ser realizados em clínicas, quais em hospitais e o equipamento mínimo necessário em cada um deles.

Pinheiro afirma que a maior parte dos acidentes e reclamações colhidas depois de cirurgias plásticas envolvem profissionais que não tiveram o treinamento necessário. Ele observa que, na análise dos processos, o conselho com frequência se depara com problemas de informações nos prontuários. Algo que o protocolo tentará corrigir.

Entre as propostas está restringir as cirurgias entre adolescentes e limitar o número de procedimentos que podem ser feitos em uma única cirurgia. O assunto, porém, ainda não foi discutido pelo grupo. "A cirurgia em adolescentes tem também um aspecto civil, sobre quem tem responsabilidade. Se não houver uma deformidade, algo que possa gerar um desconforto psíquico importante, acho que o assunto tem de ser muito bem pensado."

Em janeiro, a jornalista Lanusse Barbosa, de 27 anos, morreu em Brasília depois de complicações durante uma lipoaspiração. Em abril, a assessora do Ministério das Cidades, Kelma Ferreira Gomes, morreu uma semana depois da realização de uma lipoescultura, em um hospital de Goiânia

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