Conselho levará caso de sargentos gays à ONU; sargento deixa prisão e carreira militar

SÃO PAULO - O Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana de São Paulo (Condepe) enviará na próxima semana denúncia de suposta homofobia no Exército à Organização das Nações Unidas (ONU) e à Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), da Organização dos Estados Americanos (OEA), informou o secretário-geral do Condepe, Ariel de Castro Alves. Ele irá relatar o caso dos sargentos Laci Marinho de Araújo e Fernando Alcântara de Figueiredo, de Brasília, que assumiram publicamente sua homossexualidade no início do mês e foram presos. Laci é acusado de deserção e Fernando, que deve deixar a prisão nesta sexta após o Exército acatar o pedido para ele deixar a carreira militar, de transgressão a normas militares.

Agência Estado |


AE
Exército deu ordem de prisão a Fernando e Laci
Os militares Fernando e Laci antes da prisão
Na denúncia, Alves vai destacar a fraca atuação do governo federal no caso. Apesar de apelos do Condepe ao Ministério da Defesa e à Secretaria Especial de Direitos Humanos, da Presidência da República, os militares continuam presos. "Faltou uma ação do governo para conter a perseguição a eles", disse.

"A pressão continua e a situação só piora." A expectativa é de que a denúncia crie uma pressão internacional em prol do casal. "Queremos que os organismos internacionais cobrem providências e explicações do governo e do Exército."

O sargento Alcântara deixará a prisão - e o Exército - nesta sexta pela manhã. Isso porque o sargento pediu licenciamento da instituição na terça-feira e teve a baixa concedida nesta quinta. Também nesta quinta, ele passou por um exame médico e acertou os últimos detalhes para deixar a carreira militar. Amigos que o visitaram contaram que ele está muito feliz e aliviado.

Alcântara sairá da prisão a tempo de acompanhar o julgamento de seu companheiro Laci, na 11ª Circunscrição Judiciária Militar (CJM). O tribunal é a primeira instância da Justiça Militar. De acordo com amigos que visitaram Laci na prisão, ele está otimista, porém, receoso a respeito do julgamento.

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