Conselho Indígena diz que continuará ocupação em RR

O conflito que deixou dez índios das etnias macuxi e ingaricó feridos a bala ontem na terra indígena Raposa Serra do Sol, em Roraima, ocorreu na Fazenda Depósito, do rizicultor Paulo César Quartiero, prefeito do município de Pacaraima e líder da mobilização de produtores contra a demarcação da reserva. O episódio não intimidou o Conselho Indígena de Roraima, que pretende continuar a ocupação da Fazenda Depósito.

Agência Estado |

Os índios não aceitam a posse de Quartiero nem dos seis rizicultores que permanecem na área. Para eles, os produtores é que são os “invasores”.

O confronto ocorre 26 dias depois da suspensão da Operação Upakaton 3 da Polícia Federal, destinada a retirar os não-índios da área. A ação da PF foi interrompida por liminar concedida pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no dia 9 de abril. A Fazenda Depósito fica a sete quilômetros de Surumu, localidade a 160 quilômetros de Boa Vista que concentra os conflitos entre índios e não-índios pela posse da reserva de 1,7 milhão de hectares.

Quartiero sustentou que não estava na fazenda no momento do conflito, mas foi informado por seus funcionários de que os índios teriam invadido sua fazenda armados de cassetetes e de arco e flecha. “Os funcionários disseram que, quando tentaram retirá-los, eles atiraram flechas. Então houve reação.” A PF abriu inquérito para investigar o caso e prestou o primeiro atendimento aos feridos.

“Esse ataque é uma afronta à Constituição e ao Supremo Tribunal Federal, mas não intimida as comunidades. Ao contrário, só fortalece os indígenas da Raposa Serra do Sol e de todas as comunidades de Roraima”, disse o índio Júlio Macuxi. Ele ressaltou que vai reforçar o pedido de segurança feito há um mês, e exigir que a PF desarme o que ele classificou de “milícia”. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo .

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