Moradoras de um abrigo para menores em situação de risco em Mongaguá, na Baixada Santista (SP), duas crianças foram ontem vítimas de maus-tratos, dentro da casa de assistência social, mantida pela prefeitura, denunciou o conselheiro tutelar Ailton de Abreu. Os dois meninos sofreram lesões nas orelhas: o de 8 meses ficou com o rosto inchado e apresentou vermelhidão e o de 3 anos teve forte sangramento e foi internado.

"A impressão que dá é que as crianças foram puxadas, penduradas pela orelha. Foi uma tortura", disse Abreu, que, acionado pela Guarda Municipal, foi até o lugar e acompanhou os garotos até o Hospital Municipal da cidade. Segundo o conselheiro tutelar, o menino de 8 meses foi medicado e liberado, mas o outro corre o risco de perder a orelha por necrose (morte celular) e permanece internado. "Ele está com a orelha dilacerada, é uma criança raquítica, miúda, que nasceu prematura e a mãe era etílica (alcoólatra). Ele tem três anos e não fala." Abreu afirmou que o Conselho Tutelar começou a tomar as providências cabíveis e encaminhou ofícios ao Ministério Público (MP) e à Justiça.

De acordo com o boletim de ocorrência registrado na delegacia-sede do município, havia um monitor e uma faxineira na casa de assistência ontem, além dos 20 menores, de diferentes idades, que lá residem. A delegada Selma Santana Rodrigues informou que a Polícia Civil, por meio da Delegacia de Defesa da Mulher, vai apurar o ocorrido, ao mesmo tempo que o procedimento administrativo instaurado pelo Departamento de Promoção Social da administração municipal, responsável pela casa.

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