Conselho de Medicina cassa registro de Abdelmassih

O médico Roger Abdelmassih é acusado de ter cometido crimes sexuais contra ex-pacientes

AE |

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O Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) decidiu por unanimidade cassar o registro profissional do médico Roger Abdelmassih. Trata-se da primeira condenação imposta ao especialista em reprodução in vitro, que responde na Justiça criminal a 56 acusações de estupro contra ex-pacientes. Embora caiba recurso da decisão, o próprio médico já havia "renunciado" à profissão.

No mês passado, Abdelmassih protocolou no Cremesp o primeiro pedido de cancelamento de seu registro. Na sexta-feira, 30 minutos antes do início do julgamento, o órgão recebeu novo requerimento de exclusão do registro e suspensão da sessão. O ofício, assinado por advogados e Abdelmassih, dizia que, ao julgá-lo, o Cremesp estaria se rendendo ao "clamor popular, provocado pela imprensa sensacionalista". O pedido foi indeferido.

Em seu voto, o relator do processo pontuou todas as acusações que pesavam contra Abdelmassih, registrou as alegações do médico - entre elas que as pacientes tinham alucinações provocadas pela ingestão de um anestésico usado no tratamento - e decidiu pela cassação. Ao todo, o Cremesp instaurou 51 processos contra Abdelmassih - um para cada suposta vítima de abusos. As apurações prosseguem em relação aos outros 50 casos.

"O dr. Roger já tinha pedido a exclusão de seu nome dos quadros da medicina. Me parece uma decisão inócua e que caracteriza a perseguição do Cremesp", disse o criminalista José Luís Oliveira Lima, que defende Abdelmassih. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

O caso

Em junho de 2009, a Polícia Civil de São Paulo indiciou Abdelmassih por estupro e atentado violento ao pudor contra pacientes, segundo informação do Ministério Público.

Na época, a Promotoria chegou a receber cerca de 70 relatos de supostas vítimas de Abdelmassih. Mulheres que passavam por tratamento contra infertilidade na clínica dele o acusam de ter cometido atos libidinosos, como beijar à força e passar as mãos no corpo delas durante os atendimentos.

As vítimas disseram ter surpreendido o médico tocando-as quando começavam a despertar dos efeitos da anestesia que recebiam para os procedimentos de extração ou de implantação de óvulos.

Abdelmassih nega as denúncias e alega que em todos seus procedimentos eram acompanhados por enfermeiras e atribui as acusações a alucinações sofridas pelas pacientes pelos efeitos da anestesia.

* Com informações iG São Paulo

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