Conselho de Ética recebe mais duas denúncias contra Sarney

BRASíLIA - Os senadores Cristovam Buarque (PDT-DF) e Arthur Virgílio (PSDB-AM) entraram na noite desta quarta-feira com duas denúncias no Conselho de Ética contra o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), por decoro parlamentar.

Camila Campanerut, repórter em Brasília |


As novas denúncias são baseadas em reportagens que saíram nos jornais "Folha de S. Paulo" e "Correio Braziliense". Em nota conjunta, os parlamentares alegaram que o presidente da Casa Legislativa passava informações privilegiadas do Departamento de Polícia Federal ao grupo comandado pelo empresário Fernando Sarney, filho de Sarney. 

A outra denúncia se refere à venda de terras pelo peemedebista sem o necessário e devido pagamento de impostos.  

A movimentação contra Sarney é uma reposta à possibilidade de ambos serem alvo de retaliação do grupo aliado ao peemedebista. A contrapartida da base aliada de Sarney seria denunciar Buarque por ter sido beneficiado pelos atos secretos, com a nomeação da mulher dele, Gladys Pessoa de Vasconcelos Buarque, como assistente parlamentar, em janeiro de 2007.

Contra o líder tucano pesam as denúncias de ter mantido um servidor fantasma no gabinete dele; ter pedido empréstimo ao ex-diretor-geral do Senado, Agaciel Maia; e ainda ultrapassar os limites com gastos em saúde.

11 ações contra Sarney

O Conselho de Ética do Senado já recebeu 11 ações contra ao presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP). São cinco representações - duas do PSol e três do PSDB - e seis denúncias - quatro de autoria do líder tucano Arthur Virgílio (AM) e duas assinadas em conjunto por Virgílio e Cristovam Buarque (PDT-DF).

Um parlamentar acusado de quebra decoro pode, se o processo é aprovado em plenário, perder o mandato.

Como algumas das representações contra José Sarney tratam todas do mesmo teor, o presidente do Conselho de Ética do Senado, Paulo Duque (PMDB-RJ), deve propor que sejam unificadas, segundo informação de um interlocutor do senador à "Agência Estado".

As representações que poderiam ser unificadas são quatro: duas delas - uma registrada pelo PSDB e outra pelo PSol - pedem ao conselho que investigue a responsabilidade de Sarney na edição de atos secretos; e duas - também apresentadas cada uma por um destes partidos - pedem a apuração da possível participação de José Sarney no esquema de desvio de dinheiro de patrocínio cultural da Petrobras pela fundação que leva seu nome.

Das cinco representações recebidas pelo Conselho de Ética contra Sarney, apenas uma não seria vinculada: aquela em que o PSDB pede ao Conselho de Ética a apuração de suspeita de favorecimento do presidente do Senado a seu neto José Adriano Cordeiro Sarney, cuja empresa operava crédito consignado a servidores da Casa.

Paulo Duque, apesar de ter a prerrogativa, como presidente do Conselho, de arquivar sumariamente as representações contra Sarney, não estaria disposto a enfrentar o desgaste político dessa opção. Ele estaria confiante em que, ao entregar aos conselheiros a decisão sobre as representações, a maioria deles pedirá o arquivamento delas. Dez dos quinze senadores do Conselho de Ética são da base aliada ao governo.

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