Conselho de ética recebe inquérito sigiloso da PF que envolve Paulinho

BRASÍLIA - O Conselho de Ética (CE) da Câmara recebeu na tarde desta quarta-feira dados do inquérito que corre sob segredo de justiça do deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), o Paulinho da Força, acusado pela Polícia Federal (PF), na operação Santa Tereza, de fazer parte de um suposto esquema de desvio de recursos do BNDES. Com processo de cassação aberto, o parlamentar fará sua defesa oral no CE na próxima terça-feira (8), mas as testemunhas de acusação só devem ser ouvidas em agosto, após o recesso do Congresso.

Severino Motta - Último Segundo/Santafé Idéias |

De acordo com o assessoria do Conselho de Ética, esta foi a primeira vez que o Supremo autorizou o envio de um processo que corre em segredo de justiça para uma comissão não judiciária da Casa. O repasse de informações é normal para as CPI's, por exemplo, mas não para a CE.

O material, que estava em posse do Supremo, traz toda a apuração feita pela PF sobre o caso. Segundo o relator do processo de cassação no Conselho de Ética da Câmara, deputado Paulo Piau (PMDB-MG), Paulinho confirmou sua presença no CE no próximo dia 8, mas o calendário Legislativo tornará "difícil" ouvir as testemunhas de acusação antes do recesso.

"Na prática é difícil [ouvir testemunhas antes do recesso]. Nós queremos ouvir o mais rápido possível, e esperamos que após o recesso os deputados compareçam ao Conselho para finalizarmos o processo, se possível, antes das eleições", disse.

Questionado sobre o conteúdo da defesa de Paulinho, entregue na semana passada, Piau revelou não ter ficado satisfeito. Para ele ainda existem uma série de pontos a serem esclarecidos.

"Se eu disser que estou satisfeito seria um pré-julgamento, eu praticamente inocentaria o Paulinho. Se perguntar se me satisfez vou dizer que não. Ainda é preciso esclarecer muita coisa", explicou.

Entre as testemunhas de defesa e acusação que devem ser ouvidas em agosto, o relator citou a esposa do deputado, Elza de Fátima, presidente da ONG Meu Guri, também acusada pela PF de receber recursos irregulares do BNDES, o advogado Ricardo Tosto, que era conselheiro do Banco indicado pela Força Sindical, o prefeito de Praia Grande, Alberto Mourão, o suposto articulador do esquema criminoso, João Pedro de Moura e o empresário Marcos Mantovani.

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