Conheça projetos bem-sucedidos de urbanização de áreas precárias nas cidades

As histórias de sucesso a seguir são recomendadas por instituições como a ONU, o Banco Mundial, o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e Aliança de Cidades. Referem-se a favelas e demais áreas consideradas precárias.

Rodrigo de Almeida, iG Rio de Janeiro |

Direito da comunidade à água potável ¿ comunidade de Imiomuza, Nigéria

Imiomuza é uma comunidade que abrange quatro subcomunidades, com uma população superior a 20 mil pessoas. Coordenado pela Society for Water & Public Health Protection, ONG sem vínculos políticos e de caráter voluntário, o trabalho consiste na busca do acesso à água potável como um direito humano.

A comunidade enfrentava também problemas de energia elétrica ¿ tubulações públicas em ruínas e instalações de saneamento resumidas a latrinas em buracos faziam parte da paisagem local. Ações com o governo, campanhas mobilizadoras e obtenção de empréstimos internacionais têm ajudado a mudar a realidade.


Gestão e serviços ¿ Surat, Índia

Surat é uma cidade industrial na qual as condições deixavam a desejar: somente 35% da população tinha abastecimento de água, 33% tinha cobertura de tubulações de drenagem e menos de 30% tinha serviço de esgoto. Em 1994 a peste atingiu as zonas com condições sanitárias insuficientes. Duas reformas estruturais foram realizadas.

O primeiro programa significou a descentralização na gestão. Cada área assumiu a própria administração e o orçamento para executar o abastecimento de água, esgotos, construção de vias, a gestão de resíduos etc. A segunda reforma ajudou a fazer com que os altos funcionários passassem a fazer trabalho de campo, ajudando a estabelecer contato direto com os residentes, ouvindo suas queixas (que devem ser resolvidas em até 48 horas). Foram estabelecidos 274 centros para coletar periodicamente dados pertinentes do setor de saúde para a rápida aplicação de medidas contra epidemias.

Outras ações: funcionários demitidos quando o desempenho não mostrou sinais de melhora, demolição de edifícios construídos sem autorização, reestruturação no sistema de cobrança e pagamento de impostos, associações público/privadas para o financiamento, cooperação para a construção de vias, tecnologias de meio ambiente e instalações para o lazer.


Conselho de Habitação da Palestina ¿ Ramallah, Jerusalém, Palestina

Aproximadamente 3,5 milhões de habitantes palestinos da Ribeira Ocidental e Gaza são afetados pela expansão das áreas naturais. Resultado: elevação dos preços das terras, aglomeração de edifícios e falta de moradias acessíveis para as famílias de baixa e média renda.

O Conselho de Habitação Palestino criou vários programas para resolver diferentes problemas e servir às diferentes categorias da comunidade. Melhorou o nível e as condições de vida e criou um ambiente adequado para numerosas famílias palestinas. Também reduziu a porcentagem de ocupação das moradias, o custo da construção e a migração de habitantes das zonas rurais.


Loading Dock ¿ Baltimore, EUA

O projeto foi concebido para atender à necessidade de melhorar a moradia precária em Maryland, num período (anos 80) em que aproximadamente uma de cada seis unidades de moradia na região era deficiente. The Loading Dock é uma organização sem fins lucrativos e desenvolve um projeto de intercâmbio de sobras dos materiais de construção, em parcerias com fabricantes, distribuidores e empreiteiros da região.

Os doadores oferecem a manipulação, o depósito e os custos de armazenagem e obtêm uma dedução de impostos por conta de suas contribuições. Os membros incluem organizações de moradia, centros comunitários, grupos de melhoria de bairros, organizações sem fins lucrativos, creches, pessoas e famílias de baixa renda. O projeto inspirou programas similares em cidades da Alemanha, Hungria e México.


Produção social do Habitat ¿ Xalapa, México

Plano de melhoria urbana e habitacional dos bairros pobres da periferia da cidade. Criou-se um sistema de poupança e crédito para a construção e melhora de moradias que começou suas operações apoiando um grupo de sete mulheres chefes de família. De 1997 para cá foram entregues mais de 1.700 créditos às famílias associadas, atuando em 12 municípios. O projeto envolveu a participação comunitária no planejamento e desenho do espaço habitável, com preocupação ecológica e de sustentabilidade. Também desenvolveu metodologia própria de educação popular em saúde.


Moradias com coração ¿ Medellín, Colômbia

Às margens do rio Juan Bobo em Medellín, 300 famílias viviam em condições críticas, suscetíveis ao despejo, expulsão e desapropriação. Os números: 80% das moradias com carências estruturais; 35% localizadas em zonas com restrições geográficas; 94% apresentando títulos de propriedade ilegais. O assentamento não dispunha ainda da prestação de serviços básicos.

O projeto permitiu o reassentamento voluntário das famílias e a melhoria integral de suas condições de acesso à moradia, por meio da aplicação de um modelo alternativo de reordenamento, reajustes no uso dos solos e recuperação ambiental. Atualmente as famílias dispõem de serviços de água, esgoto e coleta de lixo, e um sistema de mobilidade e de espaços públicos desenhados estrategicamente.


The Prince George ¿ Nova York, EUA

O projeto está focado na reutilização e restauração de Prince George, um grande edifício abandonado que anteriormente havia sido um hotel luxuoso de Nova York. Depois de muitos anos de deterioração, a organização Common Ground adquiriu o edifício, o renovou e passou a oferecer 416 apartamentos (quitinetes) de qualidade, destinados a pessoas de baixa renda, sem moradia e/ou portadores do HIV.

O trabalho inclui serviços de assistência em saúde mental, aconselhamento sobre toxicomania, cursos de capacitação e atividades comunitárias e colocação laboral. Os índices de criminalidade na área diminuíram significativamente. Também foram gerados empregos permanentes na região.


Urbanizar para crescer ¿ Ekurhuleni, África do Sul

Parceria do governo local com o Banco Mundial e Aliança de Cidades, o projeto integrou necessidades ligadas a energia, desenvolvimento econômico e habitação. Terceira maior cidade sul-africana, Ekurhuleni lutava para lidar com enormes disparidades sociais e econômicas que resultaram do regime do Apartheid. Cerca de 65% da população estava vivendo em condições precárias. Em dez anos, conseguiu reduzir esse percentual à metade, oferecendo oportunidades para o sustento dos mais pobres.


Cidade Saudável ¿ Carhuaz, Peru

Em Carhuaz, a coleta de lixo recolhia 60% dos resíduos e os vertia para o rio Santa, principal abastecedor de água da cidade, gerando problemas de poluição e saúde. Um programa de gestão de resíduos sólidos ajudou a aumentar a contribuição da população com as taxas correspondentes ao serviço de coleta, ampliou a participação na reciclagem e liberou o rio Santa de receber 6.500 toneladas de resíduos. O modelo, chamado Cidade Saudável, foi replicado para 35 municípios peruanos.

    Leia tudo sobre: assentamentofavelasfavelizaçãourbanização

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG