Conheça a trajetória política conturbada de Celso Pitta

Celso Pitta teve uma vida conturbada durante sua atuação política. Prefeito de São Paulo de 1997 a 2000, ele foi acusado de desvio de verba pública, corrupção e irregularidades na administração da cidade.

Agência Estado |

O episódio mais recente em que ele estava envolvido foi no esquema investigado pela Polícia Federal durante a Operação Satiagraha.

O primeiro emprego de Pitta foi como contínuo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Vindo de uma família classe média do Rio de Janeiro, Pitta era graduado pela Faculdade de Economia e Administração da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), mestre em economia pela Universidade de Leeds, na Inglaterra, com curso de Administração Avançada em Harvard, nos Estados Unidos. Trabalhou por muitos anos como executivo de várias empresas. Uma delas, a Eucatex, da família Maluf. Em março de 1987, Pitta foi convidado por Roberto Maluf, irmão do ex-prefeito Paulo Maluf, para ser diretor financeiro da Eucatex. Pitta trabalhou por dez anos na empresa.

Por causa da morte de José Augusto Savasini, Pitta assumira o cargo de secretário municipal das Finanças da gestão de Paulo Maluf (PPB) na Prefeitura de São Paulo. Um dos primeiros problemas da administração Pitta/Maluf começou com a compra de 823 toneladas de frango congelado pela prefeitura. O negócio favorecia as empresas A'Doro Alimentícia e Obelisco Agropecuária.

O empresário Fuad Lutfalla, cunhado de Maluf, era dono da A'Doro. Sylvia Maluf, mulher do então prefeito Paulo Maluf, era dona da Obelisco. As transações com títulos públicos para pagar precatórios durante a gestão resultaram na obtenção de R$ 2,1 bilhões da União, dos quais R$ 1,8 bilhão não foi destinado a pagar precatórios, como determina a lei, segundo a CPI da Dívida Pública da Câmara Municipal de São Paulo. Essas operações teriam beneficiado corretoras de valores e bancos que participaram de transações, além de particulares e agentes públicos.

Apadrinhado por Maluf

Em 1996, Paulo Maluf lançou seu secretário de Finanças como candidato a prefeito de São Paulo. "Se Celso Pitta não for um bom prefeito, não votem mais em mim", disse Maluf. Dois anos depois, na disputa pelo Palácio dos Bandeirantes, apareceu no vídeo dizendo que, ao contrário do que prometia seu aval, Pitta não estava fazendo um bom governo.

"Pitta me derrotou em 1998, com sequelas em 2000 (quando perdeu as eleições municipais para Marta Suplicy), mas não conta mais. Apagou de vez. Não tenho mais nenhum relacionamento pessoal com ele. Nem gostaria de ter. Sofri as consequências da administração de Pitta, mas ela não pesa mais em 2002. Eu ganho pelo que fiz, outros perdem pelo que deixaram de fazer." Com essas palavras, Maluf tentou apagar de seu currículo o ex-secretário municipal de Finanças que apoiou em 1996. Foi uma escolha pessoal, com prejuízo de outros pretendentes - entre os quais os também secretários Paulo Roberto Richter e Reynaldo de Barros -, mas com a chancela de Calim Eid, seu braço direito e conselheiro político.

Prefeito

Eleito com 3.178.330 votos em 15 de novembro de 1996, 57,37% do total, Pitta assumiu o cargo com 73% dos paulistanos esperando que a cidade estaria melhor do que no último ano de governo de Paulo Maluf. Com uma dívida de cerca de R$ 1 bilhão herdada de seu antecessor e alvo de denúncias de irregularidade na emissão e colocação dos títulos públicos de São Paulo no mercado financeiro, o prefeito de São Paulo cortou a verba de investimentos, serviços e manutenção da cidade para tentar controlar a crise financeira. O resultado dessa decisão administrativa foi o acúmulo de lixo nas ruas, calçadas, parques públicos e a invasão do mato sobre as praças e jardins.

Pitta já havia sido condenado em primeira instância a quatro anos e quatro meses de prisão pela emissão irregular de precatórios quando ainda era secretário de Finanças de Paulo Maluf. A gestão Pitta ainda ficou marcada pela Máfia dos Fiscais, esquema de extorsão a donos de imóveis e ambulantes, que levou à cassação de dois vereadores. Ainda surgiram denúncias de desvios no Plano de Atendimento à Saúde (PAS), nomeação de fantasmas no governo e irregularidades com empresas de lixo. Pitta foi afastado do cargo por 19 dias em 2000, acusado de usar a prefeitura para beneficiar empresário que lhe emprestou dinheiro. Ele foi reconduzido pela Justiça. Não tentou a reeleição e fracassou na campanha a deputado federal.

Casamento

As controvérsias entre o ex-prefeito e sua ex-mulher, Niceia Camargo, tiveram início após a separação do casal, em 1999. Insatisfeita com a quantia supostamente oferecida pelo ex-prefeito em uma espécie de acordo de separação, a ex-primeira dama acusou Pitta de comprar parlamentares da Câmara dos Vereadores para encerrar uma CPI que poderia terminar com um processo de impeachment.

Três anos depois, em 2003, durante depoimento à CPI do Banestado, ela disse que Pitta recebeu propina quando era prefeito e enviou recursos ilegalmente ao exterior. Outro imbróglio entre o casal ocorreu quando Pitta foi condenado a pagar uma dívida de R$ 100 mil a Niceia referente a cinco meses de pensão alimentícia atrasada.

Neste último episódio, o ex-prefeito não foi encontrado pela polícia e foi considerado foragido por uma semana. Durante este período, Niceia não poupou esforços para constranger o ex-prefeito: primeiro, ofereceu R$ 1 mil para quem apresentasse informações que levassem à sua prisão. Depois, ameaçou usar dois algozes do ex-prefeito - o mentor da operação Satiagraha, Protógenes Queiroz, e o promotor Silvio Marques, que movia ação por improbidade contra Pitta - para provar que ele tinha condições de quitar sua dívida.

Por falta de pagamento, Pitta começou a cumprir prisão domiciliar em abril deste ano após determinação do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Ele havia recorrido da decisão anterior, de prisão comum, alegando que estava com câncer e precisava de tratamento.

Pitta foi preso em julho de 2008 durante a Operação Satiagraha, da Polícia Federal, acusado de supostos envolvimento em crimes financeiros, assim como Daniel Dantas e Naji Nahas. Todos foram libertados alguns dias depois. Ele foi acusado de evasão de divisas, operação de instituição financeira sem autorização, falsidade ideológica, fraude na administração de sociedade anônima e formação de quadrilha.

Segundo a PF, Pitta era sócio de Nahas e mantinha contas no exterior com dinheiro desviados de obras públicas durante seu mandato. Depois, esse dinheiro voltava para o Brasil por meio de doleiros. A defesa do ex-prefeito nega que ele tenha cometido qualquer um dos crimes.

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