Congresso retoma votações em clima acirrado entre governistas e oposição

BRASÍLIA - O Senado e a Câmara dos Deputados retomaram nesta terça-feira as votações em clima de disputa em função das CPIs e das medidas provisórias (MPs) que trancam as pautas das duas Casas. Na Câmara, uma ¿trégua¿ da oposição permitiu a apreciação de apenas uma MP, enquanto no Senado a base aliada decidiu ¿atropelar¿ a oposição para votar medidas.

Regina Bandeira e Rodrigo Ledo, Santafé Idéias/US |

Os líderes partidários do DEM, PSDB e PPS na Câmara concordaram em deliberar a MP 406/07 ¿ que concede crédito extraordinário de R$ 1,25 bilhão para vários ministérios e Presidência da República ¿, mas deixaram claro que a iniciativa foi apenas um gesto de boa vontade para com o presidente da Casa, deputado federal Arlindo Chinaglia (PT-SP), em vez de um acordo com o governo.

"É uma demonstração de boa vontade ao esforço do presidente Arlindo Chinaglia, que tem se reunido sistematicamente com os partidos para discutir uma solução na batalha pela mudança nos trâmites das MPs", ressaltou o líder do DEM na Câmara, deputado federal ACM Neto (BA).

O líder do governo na Câmara, deputado Henrique Fontana (PT-RS), até tentou convencer os oposicionistas a votarem quatro MPs, mas não obteve sucesso. Ele minimizou o fato: Apesar de terem sido apenas três, vamos continuar mantendo um diálogo. O ambiente está propício para um entendimento, disse.   

Os parlamentares têm obstruído como forma de protesto contra o que chamam de excesso de MPs. Enquanto as medidas enviadas pelo governo não são apreciadas em Plenário, nada pode ser votado.

Rolo compressor

No Senado o clima estava muito mais tenso. Os ânimos ficaram exaltados o dia inteiro após a reunião da CPI mista dos Cartões Corporativos, principalmente pela disputa em torno da convocação da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, para depor na comissão sobre os gastos com cartões da Presidência.

O líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), disse ser impossível procurar entendimento para votações de MPs no Plenário da Casa com a postura ameaçadora da oposição. Por isso a base decidiu reunir o máximo de senadores governistas em Plenário e fazer valer a maioria para tentar aprovar na força pelo menos parte das três MPs que trancam a pauta.

Em clima de ameaça não dá [para procurar o acordo]. A oposição está sem foco, está virando uma ação ataque pessoal, de tentativa de desqualificar a ministra Dilma, reclamou Jucá.

O senador oposicionista Marconi Perillo (PSDB-GO), rebateu afirmando que a base aliada tem desrespeitado a oposição seguidamente. Alguns exemplos, segundo ele, são o bloqueio do aprofundamento de investigações em CPI, principalmente a dos cartões, e o excesso de MPs que entrava a pauta de votações do Senado e do Congresso de forma geral.

Para votarmos precisa de uma porção de coisas. Deve-se levar a sério a CPI dos cartões e das ONGs, porque não dá para o governo passar o rolo compressor sobre a oposição. Tem que haver limitação nas MPs, até porque isso desmoraliza o próprio presidente do Congresso (senador Garibaldi Alves Filho, PMDB-RN), que é o maior defensor da limitação, citou Perillo, acrescentando ainda a necessidade da colaboração dos governistas na votação dos vetos presidenciais a projetos de lei aprovados pelo Congresso.

Até as 19h30, nenhuma MP havia sido votada pelo Senado.

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