Há duas semanas do início do recesso legislativo, foi instalada, esta tarde a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Após quase quatro meses de negociação, foram eleitos o senador Almeida Lima (PMDB-SE) para presidir a comissão e o deputado federal Onyx Lorenzoni (DEM-RS), propositor das investigações, como vice-presidente.

A relatoria caberá a Jilmar Tatto (PT-SP), que não tem ligação com o movimento dos sem-terra e foi secretário de Transportes de São Paulo durante a gestão de Marta Suplicy.

Na próxima reunião, marcada para quarta-feira, às 11 horas, Tatto deverá apresentar seu plano de trabalho, com previsão de depoentes, audiências e provável término da comissão. O plano ainda precisa ser aprovado pela maioria dos parlamentares. Logo, o início de fato das investigações deverá ficar para 2010, ano de eleição. O presidente Almeida Lima rejeitou a possibilidade de trabalhar durante o recesso. "Merecemos férias", disse.

O deputado Dr. Rosinha (PT-PR) também admitiu que, além do recesso parlamentar, o pleito de outubro deverá ajudar a esvaziar as investigações. "Vai esvaziar em função da campanha eleitoral. Terá um ímpeto até maio e depois, com as convenções partidárias, começa a baixar os ânimos", avaliou.

A CPMI do MST contará com 36 integrantes - 18 deputados e 18 senadores, dos quais a maioria faz parte da base governista. Porém, diferente de outras comissões, o grupo não está dividido apenas entre governo e oposição, uma vez que muitos parlamentares do PMDB, da base de apoio ao governo, é da bancada ruralista. As discussões durante a reunião de instalação da CPMI do MST foram contidas, mas algumas manifestações deram o tom de como será o debate ao longo das investigações.

Enquanto o deputado Moreira Mendes (PPS-RO), vice-presidente da Frente Parlamentar Ruralista, defendeu a investigação dos supostos repasses ilegais do governo para o MST, parlamentares da base aliada, como Manuela D'Ávila (PCdoB-RS), pediram a investigação de todos os contratos agrários do governo, incluindo as entidades patronais, como a Confederação Nacional da Agricultura (CNA), presidida pela senadora Kátia Abreu (DEM-TO), também autora do pedido de criação da CPMI. "Não podemos criminalizar os movimentos sociais", disse D'Ávila.

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