Congresso deve desculpas por mortes no Rio, diz Jungmann

O presidente da Comissão de Segurança Pública da Câmara dos Deputados, Raul Jungmann (PPS-PE), disse nesta quarta-feira que o Congresso Nacional deve desculpas pela morte dos três jovens do Morro da Providência por traficantes rivais, após terem sido entregues por militares.

Agência Estado |

"Se tivéssemos aprovado a regulamentação da utilização das Forças Armadas em casos pontuais, talvez isso não tivesse ocorrido", disse.

Jungmann anunciou a intenção de realizar audiências públicas para ouvir representantes do Exército e o Ministro da Defesa, Nelson Jobim, sobre a participação de soldados do Exército na morte de três rapazes do Morro da Providência no último fim de semana. A idéia é apurar e atribuir responsabilidades, resume.

Ao término das audiências, Jungmann afirmou que pretende criar um grupo de trabalho a fim de regulamentar a lei sobre a atuação das Forças Armadas na segurança pública. Eu sei que o Ministério da Defesa está preparando isso, mas não dá para esperar mais.

Sem a regulamentação da norma, Jungmann questiona o estrapolamento da atuação militar em operações de segurança. Se fosse legal, entrava na Justiça e suspendia, disse em relação a ação das Forças Armadas, mas o vazio legal impede [ a suspensão ]. Você não emprega força sem ter um balizamento legal muito claro.

Os depoimentos de 8 dos 11 militares acusados do crime apontam para o tenente Vinícius Ghidetti como único responsável pela operação. Mesmo depois de ter recebido a ordem de um capitão para liberar os rapazes, Ghidetti teria decidido dar um corretivo nos jovens.   Nesta quarta-feira serão ouvidos mais dois militares acusados de envolvimento no crime.

Tô cag... para o capitão, teria dito o oficial, segundo os praças que prestaram depoimento ontem. Os oito militares foram ouvidos entre 13 horas e 21h30. O delegado Ricardo Dominguez ouviu os acusados para determinar a participação de cada um no episódio. Ele definiria ainda quais seriam indiciados por seqüestro ou por homicídio triplamente qualificado. ( Leia mais )

O caso

AE/Marcos DPaula
Policiais do Exército e moradores em confronto
Marcos Paulo da Silva, de 17 anos, Wellington Gonzaga Costa, 19, e David Wilson Florença da Silva, 24, moradores do Morro da Providência, na Zona Portuária do Rio, teriam sido entregues no último sábado e mortos, menos de 12 horas depois, por traficantes do Morro da Mineira, no Catumbi.

Em depoimento ao titular da 4ª Delegacia de Polícia, delegado Ricardo Dominguez, alguns dos suspeitos teriam confessado o crime. Os jovens foram detidos pelos militares às 7h30 do sábado, quando voltavam de táxi de um baile funk, por desacato. Porém, o comandante da tropa determinou que eles fossem liberados após serem ouvidos.

Testemunhas afirmam que os rapazes ficaram sob o poder dos militares até as 11h30 e depois foram entregues a traficantes de uma facção rival a do Morro da Providência, onde os rapazes moravam, no Morro da Mineira, onde foram executados. Há denúncias de que as vítimas teriam sido vendidas por R$ 60 mil.

Nesta segunda-feira, após o enterro dos três jovens, moradores do Morro da Providência protestaram em frente à sede do Comando Militar do Leste (CML). Durante a manifestação, policiais do Exército entraram em confronto com os moradores, atirando bombas de efeito moral.

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