Congresso da UNE vira torcida entre Dilma e Ciro

BRASÍLIA (Reuters) - As campanhas pré-eleitorais da chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, e do deputado Ciro Gomes (PSB-CE) dividiram nesta quinta-feira os participantes do 51o Congresso Nacional da União Nacional dos Estudantes (UNE), que contou com a presença da ministra e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Dilma é a pré-candidata do PT para a eleição presidencial de 2010. Já o deputado é citado como possível candidato a presidente, mas está em seus planos concorrer a governador de São Paulo.

Reuters |

Antes da chegada das autoridades ao local do evento, uma pequena parcela dos cerca de 2.800 estudantes gritou: "Brasil para frente, Ciro presidente."

Em seguida, a maioria do auditório respondeu com vaias e palavras de ordem em defesa da ministra, como "Olê, olê, olê, olá; Dilma, Dilma".

O presidente Lula também foi saudado com um coro, mas tentou frear os estudantes.

"Vocês vieram aqui para trabalhar ou para gritar?", disse Lula, o primeiro presidente a participar de um congresso nacional da UNE desde que a entidade foi fundada, em 1937.

O presidente defendeu a ampliação do acesso ao ensino universitário e as cotas raciais, a autonomia da instituição estudantil para fazer reivindicações junto ao governo e o esclarecimento do destino dos mortos e desaparecidos pela ditadura militar.

Ao falar das realizações sociais do seu governo, Lula se emocionou.

O presidente também respondeu o pedido feito pelos estudantes por uma maior participação do Estado na Petrobras e pela nacionalização das reservas de petróleo localizadas na camada pré-sal.

Segundo Lula, Dilma lhe entregará a proposta final do novo marco regulatório do setor em 10 dias, que depois será enviado ao Congresso.

"Não quero que seja um projeto meu. Quero que seja um projeto da sociedade brasileira para que mais ninguém tente privatizar esse patrimônio nacional", afirmou Lula.

A UNE, que recebeu recursos da Petrobras e outros órgãos públicos para realizar o congresso, fará uma manifestação nesta quinta-feira em defesa da estatal e do petróleo.

"A CPI da Petrobras (instalada no Senado) não é um balizador deste ato, mas vai ser comentada na passeata. Vai haver falas contra e a favor da CPI", disse à Reuters a presidente da UNE, Lúcia Stumpf.

Em seu discurso, a representante dos estudantes pediu a Lula que o Executivo reduza a meta de superávit primário e os juros a fim de haver mais capacidade para aplicar recursos no setor.

"Precisamos alcançar a meta de 10 por cento do PIB (Produto Interno Bruto) investidos em educação."

(Reportagem de Fernando Exman)

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