Confronto deixa 6 índios e 1 PM feridos em Miranda-MS

Armados com arco, flecha, tacapes e pedras, índios da etnia terena enfrentaram hoje um pelotão composto por 60 soldados da Polícia Militar (PM), em Miranda, no Pantanal de Mato Grosso do Sul. Os policiais reagiram atirando com balas de borracha e explodindo bombas de gás lacrimogêneo.

Agência Estado |

O confronto deixou feridos seis indígenas e um PM. O conflito ocorreu no Sítio Boa Vista, com 55 hectares (550 mil metros quadrados), que os terenas acreditam ser terra de dos antepassados porque está dentro da Aldeia Passarinho, onde eles vivem.

Na sexta-feira, os nativos invadiram a propriedade rural e armaram barracas. Começaram a invasão com um grupo de 50 terenas e chegaram reuniram quase 1,5 mil índios, conforme afirmam não-índios que trabalham na propriedade. O proprietário Nilton Dias Miranda requereu a reintegração de posse e foi atendido pela juíza da cidade, Vanda de Paula Arantes. Paula determinou despejo com força policial, conforme ordem recebida pelos oficiais de Justiça, que estiveram no local da briga hoje. Os invasores não esperavam a chegada dos policiais.

Segundo o índio Marcos da Silva, um dos líderes da ocupação da área, "os policiais chegaram no acampamento atirando para o alto e soltando bombas em cima da gente". "Fizemos nossa defesa como podíamos, mas até criança saiu ferida dessa confusão." A PM tem uma versão diferente, alegando, por meio do quartel de Miranda, que "houve negociações para desocupação pacífica, mas, de repente, começou o ataque dos índios".

Um dos PMs, que foi ferido com uma pedrada na cabeça, disse que um pequeno grupo de índios que liderava os demais, tentou conversar sobre a retirada pacífica. Porém, outros indígenas chegavam da aldeia e dos barracos armados no lugar portando arcos e flechas, alguns carregando punhados de pedras, e as agressões começaram. O caso foi registrado pela Polícia Civil e será investigado durante esta semana.

Presos

Foram presos no quartel os líderes Jaime de Almeida, Florindo da Silva Filho, Ramona Quirino Araújo e Noremberto Lopes. O terena Jelson de Almeida disse que os feridos não foram levados para o hospital e que apenas uma índia que recebeu estilhaços das bombas nos braços foi atendida e dispensada.

Almeida afirmou que o sítio será invadido novamente pela tribo. "Vivemos em apenas 105 hectares (1,05 milhão de m²), enquanto os registros que temos na Funai (Fundação Nacional do Índio), indicam a existência de um total de 160 hectares (1,6 milhão de m²) dentro da Aldeia Passarinho. Queremos um levantamento antropológico para confirmar esses registro e ampliar nossa terra."

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