Conflito por terra provoca ação violenta da PF, segundo denúncia

Confronto contra indígenas da etnia Tupinambá, no sul da Bahia, tem como pano de fundo a posse de terras, afirma conselho e ONG

Agência Brasil |

Brasília - O pano de fundo para a atuação da Polícia Federal contra indígenas da etnia Tupinambá, no sul da Bahia, é o conflito entre índios e fazendeiros pela posse de terras, segundo a denúncia enviada nesta quarta-feira (9) à Organização das Nações Unidas (ONU) pelo Conselho Indigenista Missionário (Cimi) e pela ONG Justiça Global.

De acordo com o documento enviado à ONU, desde que a Fundação Nacional do Índio (Funai) começou o processo de demarcação da Terra Indígena Tupinambá, fazendeiros dos municípios de Ilhéus e Buerarema passaram a contratar pistoleiros e iniciaram campanhas difamatórias nas rádios e jornais locais para incitar a população contra os índios.

Já houve na região uma série de conflitos envolvendo pistoleiros, fazendeiros e indígenas. “Em conseqüência da disputa pela posse da terra, os Tupinambá respondem a uma série de inquéritos e processos criminais originados na Polícia Federal, numa estratégia de criminalização de sua luta em defesa de seu território tradicional”, destaca o documento enviado à ONU.

No documento, as entidades denunciam as prisões de Rosivaldo Ferreira da Silva, o Cacique Babau, e de sua irmã Glicéria de Jesus da Silva, conhecida como Glicéria Tupinambá, além de casos de tortura de índios. De acordo com o documento, agentes da PF na Bahia estariam perseguindo índios Tupinambás. “A perseguição da Polícia Federal em relação aos Tupinambá já se tornou crônica”, diz o documento.

“No dia 23 de outubro de 2008, a PF atacou a comunidade indígena da Serra do Padeiro, deixando 14 Tupinambá feridos à bala de borracha”, diz o documento. Na ação, segundo a denúncia, a PF destruiu casas, veículos, a escola indígena e seus equipamentos e ainda deteriorou a merenda escolar. Dois Tupinambá foram presos na ocasião.”

Ainda de acordo com o documento, em junho de 2009, após outra ação de agentes da Polícia Federal para reintegração de posse, exames de corpo de delito feitos pelo Instituto Médico Legal do Distrito Federal comprovaram que cinco Tupinambá foram torturados. Essa ação, segundo o documento, teria sido realizada em conjunto com fazendeiros.

Procurada pela Agência Brasil para falar sobre a denúncia, Polícia Federal ainda não se manifestou.

(Luciana Lima)

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