SÃO PAULO ¿ As possibilidades para investir em segurança patrimonial são inúmeras e os custos, elevados. As estatísticas apontam suposta queda da violência no Estado de São Paulo, mas o crime organizado se apresenta com mão-de-obra numerosa e bem equipada. Nas primeiras semanas do ano, dois condomínios foram saqueados. Para José Jacobson, vice-presidente do Sindicato das Empresas de Segurança Privada (Sesvesp), os episódios podem sinalizar uma tendência. ¿É possível que esteja ocorrendo uma migração para esse tipo de roubo. O produto encontrado é interessante para os criminosos¿, explica.

Em 2008, foram registrados apenas oito assaltos a condomínios residenciais e muitos roubos a bancos. É o modo de operação das quadrilhas. Hora optam por assaltos a bancos, tráfico de drogas, armas. Podemos ter um crescimento de assaltos a prédios residenciais. É um termômetro para a polícia ficar atenta, ressalta.

Os aparatos tecnológicos perdem a potência frente ao crime organizado. Jacobson é radical na avaliação. Para ele, nem o Estado tem condições de competir com as quadrilhas. Respondo categoricamente. Nem o Estado consegue barrar a entrada desse porte de assalto. Um vigia armado na guarita não tem como reagir, competir com assaltantes portando fuzis, argumenta.

Apesar da declaração, o especialista afirma que o investimento em segurança não é em vão. As cercas, sensores, monitoramento de câmeras dificultam a entrada. Bandido não quer complicação, quer agilidade. Condomínios bem equipados não são alvos de quadrilhas, defende. Ele explica também, que os sistemas eletrônicos e cabines blindadas dão condições para o vigilante acionar o alarme e a polícia.

Embora o cenário não seja favorável, o vice-presidente do sindicato avalia que a segurança nos condomínios ainda é mais eficaz do que nas casas. Morar em apartamento, antigamente, representava uma ilha de segurança. Hoje, isso não é mais realidade. Entretanto, os prédios ainda são menos vulneráveis.

Para manter um segurança armado 24 horas por dia, durante o ano todo, o condomínio deve desembolsar, mensalmente, em torno de R$ 12 mil, aponta Jacobson. O valor cai pela metade, caso o serviço seja contratado apenas por seis horas e a luz do dia. Segundo o vice-presidente do Sesvesp, 90% desse valor é destinado a remuneração e encargos. Os riscos também elevam o preço.

A cabine de segurança é um dos aparatos mais caros e ainda pouco usado, comenta o vice-presidente. A grande maioria dos condomínios investe em cerca elétrica com arame farpado, sensores nos muros dos prédios, eclusa nos portões de acesso com clausura, tanto para pedestre quanto para automóveis. Esse pacote de serviços é definido por Jacobson como básico da segurança patrimonial. A instalação do kit custa em média R$ 5 mil, mas muitos condomínios optam pela locação mensal, que gira em torno de R$ 300 a R$ 500.

Para investimentos de maior porte, a guarita do porteiro deve ser blindada, fechada, sem acesso e com sistema de controle de câmeras distribuído pelos muros e entradas. A central de monitoramento pode ser feita na guarita, mas as gravações devem ficar em um quarto no condomínio onde ninguém tenha chave, sugere o especialista. Além disso, o controle de acesso pode ser feito de dois tipos: reconhecimento digital ou cartão magnético.

O custo elevado não compromete o aquecimento do setor. Segundo Jacobson, nos últimos três anos o crescimento foi de 10% ao ano na área de segurança eletrônica. O investimento em contratações, porém, se mantém bem abaixo desse valor, com crescimento máximo de 2%.

Leia mais sobre: assaltos

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.