Concretismo brasileiro ganha espaço em feira de arte de Madri

MADRI ¿ Linhas retas que se cruzam ou que buscam o infinito, jogos cromáticos geométricos, pretos e brancos, madeira, metal, material sintético, uma escada infinita ou a visão celeste a partir de um marco são alguns elementos exibidos pela Dan Galeria na Feira Internacional de Arte Contemporânea de Madri, a Arco.

EFE |

É uma mistura de concretismo e neoconcretismo, oferecida por uma das galerias de arte mais renomadas do Brasil, e que este ano ocupa o pavilhão número oito da feira.

A corrente artística mostrada por Peter Cohn, diretor da galeria, começou no Brasil nos anos 1950 e 1960, no momento no qual o país passava por um "forte desenvolvimento e a indústria automobilística estava em seu auge", o que supôs uma influência fundamental para os concretistas.

Lygia Clark e Mira Schendel são duas das artistas brasileiras que os visitantes da Arco poderão admirar no estande da Dan Galeria, e são dois dos expoentes desta corrente que "também foram expostas no MOMA (Museu de Arte Moderna) de Nova York", disse Cohn à Agência Efe.

Entre outros artistas brasileiros, Macaparana, que se apropriou do nome da cidade pernambucana, representa na Dan Galeria uma nova geração de concretistas "com uma produção extremamente conceitual, com uma piscada quase lúdica e um rigor matemático muito elegante", afirmou Cohn.

Mas a cor também tem sua presença na corrente concretista e o representante desta vertente na Arco é Gonçalo Ivo, que se baseia "na articulação cromática dos quadros e em sua estrutura formal", comentou Cohn.

A galeria foca em artistas brasileiros, mas também oferece uma seleção de latino-americanos, entre os quais destaca-se o argentino John Ferrari, que trabalhou no Brasil nos anos 1970 e tem como característica "uma grande criatividade de um refinamento estético e de uma complexidade conceitual extraordinariamente boa".

Segundo Cohn, o que diferencia o concretismo do resto da arte contemporânea atual é "sua forma silenciosa, a calma que transmite".

"De um lado se veem hoje trabalhos muito ruidosos, de intensa cor, de grandes formatos, de temática social, de grandes contrastes, de situações urbanas ou de vida, mas de uma intensidade e expressão muito vigorosa, às vezes dramática e contestatária", disse.

"Aqui se encontra uma forma que, apesar de ser muito cerebral, porque está baseada na matemática, é quase musical", afirmou.

"O concretismo é um contraponto em relação ao resto da arte contemporânea que o público agradece porque, de alguma maneira, representa uma interiorização frente à voluptuosidade, intensidade e densidade vista na maioria das vezes", refletiu Cohn.

E quanto aos preços, estes oscilam entre os 7 mil e 300 mil euros (US$ 9 mil e US$ 386 mil).

É o oitavo ano consecutivo que a Dan Galeria se instala na Arco e está tendo uma grande aceitação entre o público.

"Perguntam muito, se aproximam muito, querem saber quem são os autores. Muita gente volta ano após ano, e embora não tenhamos metas concretas, temos expectativas, e essas estão ultrapassadas".

Galeristas, museólogos, especialistas e autores já passaram pelo estande da Dan Galeria na Arco, mas, segundo o diretor, "o interessante é que há um público crescente que se interessa por esta escola, e que, além disso, é muito jovem, movido por uma curiosidade extraordinária", acrescentou.

"Estamos muito felizes na Arco, os resultados sempre são bem-sucedidos", concluiu Cohn.

(Reportagem de Raquel Godos)

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