Concessionária Supervia quer que greve nos trens seja decretada abusiva

RIO DE JANEIRO ¿ A concessionária Supervia, que administra a rede ferroviária da região metropolitana do Rio de Janeiro, anunciou nesta segunda-feira que irá entrar na Justiça ¿para a imediata decretação da abusividade da paralisação¿ dos maquinistas. A paralisação por 24 horas dos ferroviários teve início à meia-noite, causando transtornos e atrasos no transporte de cerca de 500 mil passageiros.

Redação com agências |

De acordo com o Sindicato dos Trabalhadores em Empresas Ferroviárias da Central do Brasil, 85% da categoria aderiu ao movimento. Segundo a Supervia, 30% dos cerca de 320 maquinistas aderiram à greve. A concessionária informa que atendeu a pelo menos 80% da demanda na manhã desta segunda-feira, o que provocou o aumento do tempo de espera entre as composições.

O sindicato acusa a Supervia de demitir dez trabalhadores que aderiram à greve como forma de pressão contra a paralisação. De acordo com os sindicalistas, uma assembleia que será realizada às 18h poderá decretar a greve por tempo indeterminado até que os funcionários sejam readmitidos.

Segundo o presidente do sindicato, Valmir Índio Lemos, a Supervia não oferece condições de segurança para os funcionários e passageiros. Ele diz também que a concessionária recusa-se a dialogar.

Queremos que a Supervia invista efetivamente no sistema ferroviário. É comum haver trens com problemas nos freios, é comum haver problema com sinalização. Isso está causando uma intranquilidade muito grande para a categoria, protesta Índio, completando que pelo menos uma vez por semana ocorre um acidente de trem e os maquinistas são quase sempre responsabilizados.

O diretor de marketing da Supervia, José Carlos Leitão, informou que as recentes demissões ocorreram devido a atos de indisciplina e insubordinação. Leitão garantiu que os argumentos do sindicato de que há insegurança nos trens são infundados e que o propósito da paralisação é exigir aumento salarial.

Paralisação

O aviso da paralisação foi comunicado à concessionária na última quinta-feira pela categoria. Segundo a Supervia, os trabalhadores reivindicam reajuste de 80% do piso salarial de maquinistas, adicional de 5% para os maquinistas que fizerem a locução de avisos para a população, redução da carga horária semanal de 40 horas para 36 horas para humanização do trabalho, entre outros pedidos.

Em nota, a Supervia lamentou profundamente o transtorno causado à população do Estado do Rio de Janeiro. A empresa diz estar buscando as medidas judiciais cabíveis para a imediata decretação da abusividade da paralisação e a normalidade da operação.

A concessionária opera durante a greve em padrão emergencial. A circulação de trens nos ramais de Belford Roxo e Saracuruna está suspensa. No ramal Deodoro, o intervalo entre as composições é de 20 minutos. Já nos ramais Japeri e Santa Cruz o intervalo entre um trem e outro é de 40 minutos. Pela manhã, o intervalo foi de 15 minutos. A linha férrea administrada pela Supervia passa por 11 municípios fluminenses e possui 89 estações.

A greve dos trens complicou as principais vias de acesso ao centro do Rio, já que muitos tiveram que encontrar outros meios de transporte para ir trabalhar. Foi o caso de Diego Silveira, que todos os dias pega o trem na estação de Edson Passos, mas que hoje optou pela van. O horário do trem está variando e hoje preferi acordar mais cedo e pegar uma van para chegar ao serviço no horário certo.

(*com informações das agências Estado e Brasil)

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