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Como identificar se o seu filho tem dislexia

Como identificar se o seu filho tem dislexia Por Deborah Bresser São Paulo, 25 (AE) - Burro, lerdo, preguiçoso, incompetente. Os adjetivos nada elogiosos que costumam acompanhar a vida escolar de um disléxico adoecem a auto-estima.

Agência Estado |

Definida como um distúrbio de aprendizagem na área da leitura, escrita e soletração, a dislexia tem alta incidência nas salas de aula. Pesquisas realizadas em vários países mostram que entre 5% e 17% da população mundial é disléxica.

A síndrome não é o resultado de má alfabetização, desatenção, desmotivação, condição socioeconômica ou baixa inteligência. É uma condição hereditária de caráter genético, que apresenta ainda alterações no padrão neurológico. "O diagnóstico deve ser feito por uma equipe multidisciplinar, com psicólogos, pedagogos e fonoaudiólogos", explica Rosemari Mello, presidente da Associação Brasileira de Dislexia.

Os sinais mais evidentes do problema são a dificuldade na leitura e escrita na alfabetização. "Isso tem graus, mas é comum a pecha de preguiçoso, de vagabundo. Imagina como fica a cabeça da criança em uma turma em que todos estão lendo e escrevendo e ela não? E só preguiça? O alvo mais prejudicado é a auto-estima e é o que provoca a evasão escolar, leva ao caminho das drogas, da marginalidade ou à depressão", analisa. "Há pesquisas na Inglaterra segundo as quais 50% dos encarcerados são disléxicos. Se for feito um levamento semelhante no Brasil, provavelmente dará um número grande", acredita Rosemari, que se descobriu disléxica aos 37 anos, ao levar o filho à ABD para tratamento. "Até aquele momento, eu nunca tinha lido um livro inteiro e já havia descartado completamente a idéia de fazer faculdade."

A trajetória de Rosemari, que fez supletivo, prestou vestibular e está no quarto ano de Psicologia, mostra que a dislexia exige treinamento. "É uma questão de adaptação, é preciso ensinar uma forma diferente de aprender."

A maior procura por diagnósticos ocorre entre crianças de 5 a 16 anos.

SINAIS NA PRÉ-ESCOLA
*A dislexia é definida como um transtorno de aprendizagem na área da leitura, escrita e soletração, mas não é resultado de má alfabetização, desatenção, desmotivação ou baixa inteligência. Como saber, então, se a criança deve ou não ser encaminhada para um diagnóstico? A escola costuma ser o local em que os sinais de alerta ficam mais evidentes e mudam a cada fase. Na pré-escola, fique atento aos seguintes sintomas:

Imaturidade no trato com outras crianças.

Fraco desenvolvimento da atenção.

Atraso no desenvolvimento da fala e da linguagem.

Atraso no desenvolvimento visual.

Dificuldade em aprender rimas e canções.

Fraco desenvolvimento da coordenação motora.

Dificuldade com quebra-cabeças.

Falta de interesse por livros impressos.

SINAIS NA IDADE ESCOLAR
Nesta fase, se a criança continua apresentando alguns ou vários dos sintomas a seguir, é necessário um diagnóstico.

Dificuldade na aquisição e automação da leitura e escrita.

Pobre conhecimento de rima (sons iguais no final das palavras) e aliteração (sons iguais no início das palavras).

Desatenção e dispersão.

Dificuldade em copiar de livros ou da lousa.

Dificuldade na coordenação motora fina (desenho, pintura, etc.) e/ou grossa (ginástica, dança, etc.).

Desorganização geral, podemos citar os constantes atrasos na entrega de trabalhos escolares.

Dificuldades visuais. Como exemplo podemos perceber com certo impacto a desordem dos trabalhos no papel e a própria postura da cabeça ao escrever.

Confusão entre direita e esquerda.

Dificuldade em manusear mapas, dicionários, listas telefônicas, etc.

Vocabulário pobre, com sentenças curtas e imaturas ou sentenças longas e vagas.

Dificuldade na memória de curto prazo, como instruções, recados, etc.

Dificuldade em decorar seqüências, como meses do ano, alfabeto, etc.

Dificuldade na matemática e também no desenho geométrico.

Problemas de conduta como: retração, timidez excessiva, depressão e, menos comum, mas também possível, tornar-se o ‘palhaço’ da turma.

Grande desempenho em provas orais.

SERVIÇO:
Associação Brasileira de Dislexia - www.dislexia.org.br.

Tel: (11) 3258 7568 - 3231 3296 - 3237 0809

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