Como ajudar uma criança a lidar com a morte

Como ajudar uma criança a lidar com a morte Por Márcia Ferreira* O luto é um período de dor e sofrimento. Para a criança, não é diferente: mesmo as bem pequenas, de 1 ou 2 anos de idade, vão perceber um movimento diferente na rotina da casa quando algum membro da família falece e sentirão falta da pessoa que morreu, seja o pai, a mãe, um irmão, um dos avós.

Agência Estado |

.. Sendo assim, ao contrário do que parece, é preciso contar a verdade a ela. Só essa atitude segura por parte da família fará com que o luto infantil seja bem elaborado, ou seja, a criança vai entrando em contado com a nova situação e aceitando melhor o problema.

Uma forma de explicar a morte é usar algum exemplo concreto para fazer uma comparação: lembrar de outra pessoa do convívio da família que tenha ido para sempre ou mesmo utilizar exemplos de filmes infantis que retratam situações de morte por meio dos personagens. Para essa explicação, pode-se recorrer até os livros infantis. O importante é não deixar de contar e nem esperar que a criança pergunte ou que o tempo passe.

Também não é preciso esconder a tristeza ou o choro. Afinal, a situação é sabidamente frágil a todos. Se chorar na frente da criança, deve-se explicar o porquê da tristeza e deixar claro que ela também pode chorar, até para se sentir melhor.

Há algumas situações que envolvem a delicada questão do luto. É importante que os cuidadores ajudem as crianças em todas elas:

Morte violenta - Se houve morte violenta, o impacto é ainda maior e é preciso procurar ajuda terapêutica. Lidar com a morte por doença é mais fácil. Uma morte violenta ou repentina é mais difícil de elaborar e pode causar um trauma psíquico, se não houver um tratamento profissional adequado.

Morte do animal de estimação - Se a morte for de um bichinho de estimação, a reação não é muito diferente, pois a criança a encara como uma perda. Para esses casos, é importante perguntar à criança se ela quer fazer um enterro simbólico do animal, que pode ser em uma caixinha ou em outro lugar mais adequado. O ritual estabelecido para o enterro é uma forma de enfrentar a morte e construir o conceito de perda. Crianças ficam muito tristes quando sabem que os pais "jogaram seus bichinhos em qualquer lugar". Afinal, ela convivia com o animal e sempre foi ensinado tratá-lo bem e respeitá-lo.

Mortes veiculadas pelos meios de comunicação - É natural que ela fique sabendo de mortes amplamente divulgadas nos meios de comunicação. Nesses casos, os pais devem explicar - sem muitos detalhes - o motivo do fato, mas não devem deixá-la exposta o tempo todo, ou isso pode gerar medo e agressividade e, pior, ela pode se identificar com a situação, se o falecido for da idade dela.

Mudanças - É importante ter claro que a informação da morte para a criança vai mudar sua rotina, qualquer que seja a idade. Por isso é preciso esclarecer o porquê dessas mudanças e deixar que ela participe das mesmas. Se houver uma mudança na situação financeira, por exemplo, deve-se explicá-la aos poucos, e procurar mudar o contexto material com muito cuidado.

*Márcia Ferreira é especialista em terapia de família e casal em São Paulo.

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