Comitê dos Refugiados garante que governo não intercedeu por ex-guerrilheiro das Farc

BRASÍLIA - O presidente do Comitê Nacional dos Refugiados (CONARE), o secretário-executivo do Ministério da Justiça Luiz Paulo Barreto, disse nesta segunda-feira que não sofreu pressão para aprovar o pedido de asilo político do ex-embaixador das Farc no Brasil, Olivério Medina. Segundo Barreto, que cuidou pessoalmente do processo, a permissão dos refugiados atende apenas a critérios técnicos e nem então o ministro da Justiça Márcio Thomaz Bastos, nem outra autoridade qualquer intercedeu por Olivério. ¿Nunca nenhum membro do governo me procurou para tratar desse assunto¿, garantiu.

Regina Bandeira - Último Segundo/Santafé Idéias |

O secretário também negou que as trocas de correspondência entre Olivério Medina e o ex-líder da Força Armada Revolucionária Colombiana (Farc) Raul Reyes - divulgadas em reportagem da revista colombiana Cambio - seja motivo para reabrir o caso do ex-guerrilheiro.

"Olivério pode manter contato com qualquer pessoa desde que não esteja tentando desestabilizar o governo de um país amigo, vizinho. Se, porém, forem detectados movimentos nesse sentido, podemos reabrir o caso e aceitar sua extradição", alertou Barreto.

A reportagem classifica como dossiê as correspondências trocadas pelo líder do grupo morto em março, Raul Reyes, com outros dois membros da guerrilha, entre eles o ex-padre, que mora no Brasil desde 97. No entanto, diretamente, não existem e-mails enviados ou recebidos entre qualquer autoridade brasileira e os membros da guerrilha.

O presidente do CONARE admitiu que pesou na decisão do órgão o fato de Olivério ter sido um líder diplomático, uma espécie de embaixador, e não um braço armado da guerrilha. Ele não tinha as mãos sujas, era uma espécie de negociador, argumentou.

Casado e com uma filha, Olivério Medina ou padre Camilo ¿ apelidos do líder guerrilheiro Francisco Cadena Collazos ¿ representou as Farc no Brasil até 2006, quando foi obrigado a renunciar sua atividade na guerrilha se quisesse adquirir status de refugiado no Brasil.

O governo de Álvaro Uribe acusa Medina de ter comandado um ataque a uma base do exército. Em 2005 sua extradição foi requerida pela Colômbia, mas o CONARE concedeu asilo ao ex-guerrilheiro.

O Comitê recebe cerca de 30 pedidos de asilo político por mês; a maioria de colombianos fugidos dos conflitos entre o governo local, as Farc e os chamados paramilitares (guerrilha armada de direita). Atualmente, existem cerca de 4 mil refugiados políticos no País, cerca de 538 são colombianos.

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