Comissão do Senado aprova indicação de Trezza para diretor da Abin

BRASÍLIA - Por 14 votos a 1, a Comissão de Relações Exteriores do Senado aprovou nesta quarta-feira o nome de Wilson Trezza para o cargo de diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin).

Redação com Agência Brasil |

Ele ocupa interinamente o cargo desde setembro do ano passado, quando o então diretor, Paulo Lacerda, foi afastado por suspeita de a Abin ter feito escutas telefônicas clandestinas para monitorar conversas de autoridades durante a Operação Satiagraha, da Polícia Federal.

A aprovação do nome de Trezza ainda precisa passar por votação secreta no plenário do Senado.

Satiagraha

Durante a sabatina na Comissão de Relações Exteriores do Senado, Trezza disse que o período em que a Operação Satiagraha foi divulgada pela imprensa foi constrangedor.

Nesse período, tivemos de responder a questionamentos de duas CPIs, a cinco inquéritos policiais e passar ainda pela situação altamente constrangedora de ser objeto de duas atividades de busca e apreensão, lembra. Para Trezza, esse foi um dos maiores desafios de sua carreira.

MST

Trezza afirmou ainda que as atividades de organizações sociais, como as do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), são monitoradas pela Abin. Mas, segundo ele, o órgão não tem como prever determinadas ações, como a que destruiu um laranjal no interior de São Paulo na semana passada.

Sempre que há ameaça ao patrimônio público, fazemos ações de inteligência. Temos conhecimento do modus operandi desses manifestantes, disse. Mas não do episódio específico que ocorreu. É uma possibilidade que foge, às vezes, da atividade de inteligência, completou.

Verbas

Wilson Trezza considerou pequena a verba destinada às atividades de inteligência no País. O orçamento da inteligência brasileira é pífio comparado com as atividades que se espera da inteligência de Estado. As pessoas, em geral, desconhecem a estrutura dos órgãos de inteligência dos outros países, afirmou.

Segundo ele, para 2010, os americanos terão cerca de US$ 75 bilhões. No Brasil, este ano, o orçamento para o setor foi de aproximadamente R$ 350 milhões. Logicamente que não temos a mesma comunidade de inteligência, as mesmas demandas dos órgãos de inteligência dos EUA, mas o orçamento de inteligência no Brasil é pífio, ressaltou. Me sinto constrangido em ter de admitir que essa é a nossa realidade, lamentou.

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