A Comissão de Relações Exteriores no Senado aprovou o protocolo de adesão da Venezuela ao Mercosul. O voto em separado apresentado pelo líder do governo, Romero Jucá (PMDB-RR), recebeu o apoio de 12 senadores da comissão e foi rejeitado por cinco.

Já o parecer do relator original do projeto, Tasso Jereissati (PSDB-CE), contrário à entrada da Venezuela no bloco econômico do Cone Sul, foi rejeitado por 11 votos a seis, com abstenção do senador Mozarildo Cavalcanti (PTB-RR).

A aprovação do protocolo coincide com nova visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Caracas, onde ele terá o quarto encontro deste ano com o presidente venezuelano, Hugo Chávez. Agora, Romero Jucá articula entre os líderes partidários a possibilidade de votar o projeto em plenário na próxima semana. A Câmara dos Deputados já aprovou o protocolo, que depende apenas do aval do Senado para ser encaminhado à sanção presidencial.

A discussão entre os senadores ficou focada, durante o debate na comissão, na questão da democracia na Venezuela. Para Jereissati e a maioria dos oposicionistas, enquanto Hugo Chávez estiver no poder, o Brasil não deveria aceitar o ingresso da Venezuela no bloco.

"Na Venezuela, jornalistas estão na prisão, os servidores públicos são obrigados a se filiar ao partido oficial, há presos políticos. Estamos abrindo precedente perigosíssimo. Além disso, em todas as disputas políticas, a Venezuela atuou contra o Brasil", afirmou o relator tucano.

Integração

Em contrapartida, a base aliada argumentou que a entrada na Venezuela no Mercosul deve ser analisada apenas pelo lado econômico do acordo. Além disso, segundo Jucá, a integração entre os países poderia ser útil para que a comunidade internacional interceda junto a Chávez nas questões internas da Venezuela.

"Não ampliamos a democracia isolando ninguém. Se existem problemas, e eu reconheço que existem problemas, o remédio é integração, abertura, intermediação internacional", disse Jucá. "Quem está aderindo não é o atual governo venezuelano, mas sim a Venezuela, país vizinho com o qual o Brasil sempre manteve boas relações, hoje profundamente adensadas", defendeu o peemedebista.

O ingresso na Venezuela no bloco foi aprovado pela Argentina e pelo Uruguai, mas o protocolo precisa ser referendado também pelo Paraguai, que adiou a votação para 2010, quando o Brasil já terá encerrado o debate.

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