Comissão apresenta relatório sobre mortes na Providência

BRASÍLIA - A comissão especial criada para acompanhar as apurações sobre o assassinato de três jovens do Morro da Providência, no Rio apresenta, nesta quinta-feira, seus relatórios. As comissões foram criadas pelo Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana. Onze militares do Exército são acusados de entregar três jovens do Morro da Providência a traficantes do morro da Mineira, uma facção rival. Os jovens foram espancados e mortos.

Agência Brasil |

No dia 20 de junho, a comissão foi ao Rio para ouvir familiares e moradores e acompanhar os inquéritos em andamento sobre as mortes na Providência. O objetivo é assegurar que os processos judiciais resultem em punição ágil e exemplar dos responsáveis. O ministro da Secretaria Especial dos Direitos Humanos, Paulo Vannuchi, integra a comissão.

Depoimentos

O juiz Marcelo Ferreira Granado, da 7ª Vara Criminal Federal no Rio, começa a ouvir nesta quinta-feira os depoimentos de todos os 11 militares do Exército acusados no caso. Os militares estão com a prisão preventiva decretada e foram denunciados pelo Ministério Público Federal por homicídio triplamente qualificado. Nesta quinta-feira, serão interrogados o tenente Vinicius Ghidetti, o sargento Leandro Maia Bueno e os soldados José Ricardo de Oliveira Alves e Julio Almeida Ré.

Em depoimento na quarta-feira, um sargento reformado do Exército disse ter ligado para o celular de um dos três jovens do Morro da Providência, no sábado, 14 de junho, e feito um apelo pela vida deles. No entanto, segundo o sargento, um dos traficantes teria respondido: "Perdeu! perdeu! É o CV (Comando Vermelho)!".

O suboficial, morador da Providência, foi a última testemunha ouvida nesta quarta no Inquérito Policial Militar (IPM) instaurado para apurar o assassinato de Wellington Gonzaga da Costa Ferreira, com 19 anos de idade, David Wilson Florenço da Silva, 24 anos, e Marcos Paulo Rodrigues Campos, 17 anos.

Os jovens foram entregues para traficantes do Morro da Mineira por ordem do tenente Vinicius Gidhetti de Moraes Andrade, que os tinha detido no Morro da Providência por desacato.

AE/Wilton Junior
ae

Militares em patrulha antes de deixarem o morro

Segundo o relato da promotora militar Hevelize Jourdan Covas, o sargento tentou convencer os traficantes a libertarem os jovens: "ele pediu para não fazerem crueldade, pois todos eram rapazes do bem".

O sargento também informou ao capitão Fábio Henrique Peçanha Azevedo, encarregado do IPM, que o Exército já há algum tempo cometia excessos dentro do Morro da Providência.

Entenda o caso

AE/Marcos DPaula
Policiais do Exército e moradores em confronto
Marcos Paulo da Silva, de 17 anos, Wellington Gonzaga Costa, 19, e David Wilson Florença da Silva, 24, moradores do Morro da Providência, na zona Portuária do Rio, teriam sido entregues no sábado, dia 14, e mortos, menos de 12 horas depois, por traficantes do Morro da Mineira, no Catumbi.

Em depoimento ao titular da 4ª Delegacia de Polícia, delegado Ricardo Dominguez, alguns dos suspeitos teriam confessado o crime. Os jovens foram detidos pelos militares às 7h30 do sábado, quando voltavam de táxi de um baile funk, por desacato. Porém, o comandante da tropa determinou que eles fossem liberados após serem ouvidos.

Testemunhas afirmam que os rapazes ficaram sob o poder dos militares até as 11h30 e depois foram entregues a traficantes de uma facção rival a do Morro da Providência, onde os rapazes moravam, no Morro da Mineira, onde foram executados. Há denúncias de que as vítimas teriam sido vendidas por R$ 60 mil.

De acordo com o laudo do Instituto Médico Legal (IML), Wellington teve as mãos amarradas e o corpo perfurado por vários tiros. David teve um dos braços quase decepado e também foi baleado. Marcos Paulo morreu com um tiro no peito e foi arrastado pela favela com as pernas amarradas. Os corpos foram encontrados no lixão de Gramacho, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense.

(com informações da Agência Brasil e da Agência Estado)

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