Comissão analisa processos de filhos de perseguidos na ditadura

Em meio à polêmica provocada pelo terceiro Programa Nacional de Direitos Humanos, que causou um racha no governo Lula, a Comissão de Anistia, ligada ao Ministério da Justiça, analisa amanhã processos de 16 filhos de perseguidos políticos durante a ditadura militar (1964-85).

Lucas Ferraz, iG Brasília |


O evento, em Brasília, servirá de palco para críticas contra a tentativa de setores do governo de mudar o plano. É impressionante como o Brasil ainda não reviu seu projeto de anistia, diz João Vicente Goulart, filho do ex-presidente João Goulart, deposto pelo golpe de 1964, e presidente do instituto que tem o nome do pai. Não se trata de revanchismo, é uma questão relevante. É preciso punir quem cometeu crimes no período.

O Programa Nacional de Direitos Humanos foi assinado pelo presidente Lula no final do ano passado. Entre outras coisas, prevê a criação de uma Comissão da Verdade e a apuração de crimes cometidos na ditadura. Este ponto, especificamente, deve ser alterado, por decisão do presidente Lula, por causa da cizânia criada entre os ministros Nelson Jobim (Defesa) e Paulo Vannuchi (Direitos Humanos). A sessão da Comissão de Anisita, contudo, a primeira do ano, não tem qualquer relação com o programa.

João Vicente terá seu processo julgado ao lado de mais 15 nomes, todos ligados a perseguidos emblemáticos do regime de exceção, como os filhos de Leonel Brizola, o filho de Luiz Carlos Prestes e a filha de Soledad Barret, esta assinada em Pernambuco, em 1973, em uma chacina que contou com a colaboração do agente duplo Cabo Anselmo.

Sempre houve uma resistência muito grande para esconder o que aconteceu. Resistência dos militares e até de setores empresarias que apoiaram o golpe, afirma o filho de Jango. Temos que revelar o passado, por uma questão histórica.

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