Comércio varejista recupera ritmo e cresce 10,5%

O comércio varejista voltou a mostrar desempenho vigoroso em maio, deixando para trás a perda de ritmo mostrada em abril. As vendas do setor cresceram 0,6% ante o mês anterior e aumentaram 10,5% na comparação com maio do ano passado, puxadas especialmente pelo segmento de hiper e supermercados.

Agência Estado |

Para o técnico do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Reinaldo Pereira, os dados revelam que a alta dos juros e a inflação ainda não afetaram o varejo.

A atividade composta por hiper, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo tem o maior peso (cerca de 30%) na pesquisa e havia mostrado forte desaceleração em abril. Isso havia sido interpretado por Pereira e por analistas de mercado como sinal de que a inflação já havia afetado a venda de alimentos.

Segundo o técnico, os dados de maio mostraram que a alta dos preços ainda não trouxe efeitos negativos para o comércio e os resultados de abril foram influenciados pela base de comparação elevada de igual mês do ano passado, quando houve Páscoa - em 2008, a data foi comemorada em março.

As vendas dos hiper e supermercados, que tinham caído 0,2% em abril ante março, subiram 1,1% em maio ante abril. Na comparação com igual mês de 2007, as vendas em maio cresceram 8,4% - no mês de abril, tinham subido 0,5%. O técnico do IBGE afirmou que, para o varejo em geral, o crédito farto, o aumento da renda, a estabilidade no emprego e o barateamento de produtos por causa do câmbio continuam impulsionando as vendas.

Alexandre Andrade, analista da Tendências Consultoria, também destacou que o varejo prossegue ao largo dos problemas na economia e a tendência permanece de expansão, mas apenas no curto prazo. "A partir do fim do segundo semestre, os efeitos do aumento dos juros promovido pelo Banco Central vão se refletir em uma redução do ritmo da atividade econômica doméstica", disse.

Para ele, até o fim do ano o varejo será afetado pela redução do crescimento da massa de renda, já que a inflação dos alimentos "compromete a maior parcela do rendimento das famílias com gastos em itens de primeira necessidade".

Mas, para o consultor do Instituto de Desenvolvimento do Varejo (IDV, que reúne as maiores redes de varejo do País), Emerson Kapaz, a alta da inflação já está influenciando os resultados de alguns segmentos. Segundo ele, o engano na interpretação dos resultados de abril "não autorizam a conclusão de que a inflação ainda não influenciou negativamente o desempenho do comércio, mas, sim, que essa influência ocorre, porém em outros setores que não alimentos".

De acordo com Kapaz, esse pode ser o caso do grupo de tecidos, vestuários e calçados, cujo crescimento real de vendas em maio (3,6% ante maio do ano passado) "foi apenas uma fração" do crescimento de abril (19,7%). As informações são do O Estado de S. Paulo

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