Comércio adianta adaptações à lei anti-fumo de SP

Um dia depois da aprovação da lei que proíbe o cigarro em áreas de uso comum, até mesmo sob toldos nas calçadas, restaurantes e bares começam a se adaptar à exigência. Apesar de só entrar em vigor 90 dias após sancionada, a lei já é usada para alertar os fumantes.

Agência Estado |

A churrascaria BovinuS, nos Jardins, que nos jantares reservava uma área nos fundos do salão fechado para os cerca de 30% de clientes fumantes, ontem tentava fazer valer as placas de proibido fumar penduradas nas paredes. "Eu achei boa a lei. Cigarro não combina com comida", diz o sócio Odir Pedrinho Sigolin, não-fumante.

Já o seu vizinho fumante, Leopoldo Buonsanti, sócio do Boteco Brasil, na esquina da Alameda Santos com a Rua Bela Cintra, correu para entrar com um pedido de alvará, na Prefeitura, que o permita colocar mesas na calçada, ao ar livre. "Se não conseguir, não sei o que vou fazer! A lei seca já me tirou 45% do movimento, dos quais não recuperei nem 20%. Agora mais essa!", esbravejava no balcão, levando à cabeça a mão esquerda, cigarro entre os dedos, enquanto a direita fechava o caixa. "Tem gente que só fuma quando bebe. Agora, se não puderem mais fumar, não vão beber."
ELOGIOS
Buonsanti teme perder clientes, mas a experiência de casas pioneiras na proibição do fumo mostra o contrário. "Proibir o cigarro não atrapalhou os negócios. Não houve queda no movimento nem no consumo de bebidas", diz Cecília Loureiro, gerente do Ritz da Alameda Franca, onde fumar é proibido desde novembro. Com menos de 100 metros quadrados, por lei, a casa já não podia ter um fumódromo. Maior, a unidade do Itaim, sim, mas lá o espaço também foi extinto. "Aproveitamos o movimento mundial de locais smoking free (livres do fumo) e decidimos adotá-lo. Há quem ainda reclame, mas, no geral, recebemos muito mais elogios do que críticas. A casa ficou melhor. Dá para ver até na limpeza das paredes. E ninguém mais precisa correr para o chuveiro para tirar o cheiro de cigarro dos cabelos ao sair daqui."
Clientes, as publicitárias Patrícia Saraiva, de 37 anos, e Ana Alvin, de 40, aprovam a restrição. "Sou fumante, mas, em um ambiente fechado, reconheço que a fumaça incomoda", diz Patrícia, que fuma dez cigarros por dia. Ela não deixou de ir ao restaurante depois da proibição. "Se quero fumar, venho aqui fora." Embora seja ex-fumante, a amiga Ana acha radical a nova restrição. "Eu gostava de fumar e beber, então acho um pouco demais a proibição em todos os locais de uso comum. Mas, do ponto de vista do outro, entendo."
Com sócios em comum, o restaurante Spot, na Rua Frei Caneca, ainda permite fumar no bar e nas mesas do entorno. Há cerca de um ano, a área externa, onde ficam os que aguardam mesa, ganhou um toldo. "A proibição do cigarro também sob toldos nos pegou de surpresa. Vamos ter de improvisar guarda-chuvas", ironiza Sergio Kalil, um dos donos do Ritz e do Spot. Apesar de fumante, ele diz que a lei "chegou tarde". "O mundo todo já adotou a proibição. Sou do tempo em que se fumava em avião e me lembro de que no prédio de uma tia havia cinzeiro até no elevador. As pessoas vão se acostumar."

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