Leo Jaime chega às pressas ao camarim do teatro João Caetano, no Centro do Rio, faltando pouco menos de uma hora para entrar em cena. ¿Chegou o rei, chegou o rei¿, brinca Soraya Ravenle, ao ouvi-lo se aproximando no corredor. Leo interpreta o príncipe regente Dom João (antes de ser Dom João VI) no musical ¿Era no Tempo do Rei¿, de Heloisa Seixas e Julia Romeu, inspirado no romance de Ruy Castro, com músicas inéditas compostas por Carlos Lyra e Aldir Blanc. Soraya faz a prostitua Bárbara dos Prazeres ou, como ela mesma define, ¿uma serial killer de época¿.

Fotoshow: Os bastidores do musical "Era no Tempo do Rei"

Dario Zalis

O 'rei' Leo Jaime momentos antes de entrar em cena

A defesa em torno da figura de Dom João chega até os dias atuais, mais precisamente sobre a polêmica em torno da emenda do deputado Ibsen Pinheiro, que prevê a repartição dos royalties do petróleo. Dom João não foi somente um cara que gostava de frango e era barrigudo. Foi um habilidoso estadista, ao contrário dessa gentália que tenta aprovar a emenda Ibsen, diz Leo Jaime, enquanto vai colocando as vestimentas pesadas do seu personagem. Foi um homem que moderniznou o Brasil, criando banco, correios, o Jardim Botânico..., continua ele, feliz com o papel. É a primeira vez que sou convidado para fazer um papel sem ser de substituto de outro ator, diz, bem-humorado.

Dario Zalis

Soraya Ravenle capricha na caracterização de sua personagem

Ficção e realidade

A história mistura ficção com alguns fatos reais, ao narrar as aventuras do jovem príncipe D. Pedro (vivido por Christian Coelho) pelas ruas do Centro do Rio, em meio a intrigas palacianas. Tudo embalado por 19 canções inéditas de Carlos Lyra e Aldir Blanc.

Izabella Bicalho fica vários minutos à frente do espelho para maquiar um bigode e engrossar as sobrancelhas. Ela faz uma dona Carlota Joaquina que mais parece a pintora mexicana Frida Kahlo. Todo mundo me diz que estou parecida com ela. Mas Carlota, apesar dessa feiúra aparente, era bastante sensual. Isso explica a quantidade de amantes que diziam que ela teve, defende Izabella, que deixa transparecer essa sensualidade com um decote generoso em cena.

Dario Zalis

Izabella Bicalho: sensualidade aguçada para interpretar Carlota Joaquina

No musical, ela arma um golpe para destituir Dom João do trono. Para isso, ela conta com o auxílio do seu amante, o diplomata inglês Jeremy Blood (interpretado por Tadeu Aguiar). É tanto esforço de voz que a gente faz em cena, que só brigo com minhas filhas escrevendo em papel. Em casa, preciso poupar os gritos, diz Izabella.

Já quem interpreta a rainha Dona Maria, a Louca, é Alice Borges. Ela chega reclamando do trânsito e se nega a posar para fotos. Fotos? Entrevista? Não posso, não estou com clima, diz, seca. Ela parece já estar interpretando sua personagem antes de subir ao palco, diz um funcionário da coxia, comparando-a ao temperamento indócil da personagem histórica.

Dario Zalis
O elenco em ação no espetáculo "Era no Tempo do Rei"
Já Soraya vai se maquiando, experimentando os apliques do cabelo e conversando. Faço uma personagem que existiu de fato. Mas no texto, ela é ex-amante do príncipe Dom João. Tanto na peça quanto na vida real, Bárbara chegou ao Rio, assassinou o marido para viver com amante, que também foi morto por ela. Tornou-se prostituta no Beco do Telles e, contam, sacrificava crianças para beber seu sangue, conta Soraya, com sorriso nos lábios, apesar das atrocidades de sua personagem.
Serviço:
Peça Era no Tempo do Rei
Teatro João Caetano ¿ Praça Tiradentes, s/nº
Tel.: (21) 2332-9257
Horários: Quintas, às 19h; Sextas e sábados, às 20h; Domingos, às 18h Preços: R$ 40,00 (plateia); R$ 30,00 (balcão nobre e galeria)
Classificação etária: 12 anos

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