Começa reflutuação de barco que afundou em Brasília

Balões infláveis e barco rebocador devem trazer embarcação inteira de volta á superfície

Naiara Leão, iG Brasília |

O barco que afundou no Lago Paranoá, em Brasília, no último domingo (22) pode voltar à superfície ainda hoje. Por volta de 11h, começou a primeira etapa da operação de reflutuação com a amarração de balões de ar vazios na embarcação.

No momento, mergulhadores do Corpo de Bombeiros estão inflando os balões amarrados na ponta e no meio da embarcação com cilindros de ar e mangueiras. Paralelamente, acontece o trabalho de prender ao barco uma corrente amarrada em um rebocador.

Cheios de ar, os balões podem pesar de 500 quilos a seis toneladas, mas eles não vão foicar completamente cheios. O plano dos bombeiros é colocar quatro toneladas de ar na ponta da embarcação e distribuir uma tonelada nas laterais. A intenção é estabilizar os pontos mais frágeis do barco para que ele volte inteiro à superfície.

Felipe Bryan
Barco rebocador deve ajudar a colocar embarcação que afundou na horizontal e levá-la até a margem do Lago Paranoá

Os bombeiros esperam que assim que os balões estejam cheios, o barco se desprenda do fundo do lago. A corrente irá ajudar na tração para desprender a embarcação do fundo do Paranoá e dará suporte para que ela flutue na vertical, a 90º. Ao afundar, ele ficou inclinado com a ponta e o casco para cima na diagonal a 17 metros de profundidade.

Assim que a embarcação começar a flutuar, os mergulhadores devem colocar um colchão de ar embaixo dela para que a ponta não sustente sozinha todo o peso e corra o risco de se quebrar.

O local para onde o barco Imagination, que naufragou, será levado ainda não foi definido. Mas, de acordo com o Comandante da Delegacia Fluvial de Brasília, Rogério Leite, é provável que seja a base de trabalhos dos bombeiros, no clube da Associação de Servidores de Câmara dos Deputados (Ascade) ou em um terreno ao lado.

“O barco vai subir com sua capacidade de flutuabilidade prejudicada, então temos que trazer rápido para a margem mais próxima para que ele não afunde de novo”, afirma o Comandante da Leite. A Ascade fica a cerca de 300 metros do ponto do naufrágio.

Após o içamento, a Marinha deve identificar e devolver objetos pessoais que vem sendo recolhidos na embarcação nos últimos dias. Os peritos devem concluir uma investigação sobre as causas do acidente em até 90 dias. Dois engenheiros da Marinha já trabalham com fotos e vídeos feitos por mergulhadores.

Segundo o Comandante Leite, a perícia trabalha com as possibilidades de má distribuição de carga, rachaduras nos tubulões – tipo de bóia que fica embaixo do barco – e com superlotação. O barco tinha capacidade máxima para 92 passageiros, mas acredita-se que pelo menos 102 estavam a bordo. Entre eles, 93 foram resgatados com vida, 8 corpos foram encontrados e um bebê encontrado não resistiu.

“O acidente não teve uma causa específica, mas foi provocado por uma conjunção de fatores. Só a perícia poderá determinar a importância de cada um”, diz o Comandante Leite.

    Leia tudo sobre: barcobrasílianaufrágio

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG