Começa no País governo provisório; veja quem são os vices que assumem nos Estados

Dez governadores devem passar o posto para seus vices a partir desta semana para se dedicarem exclusivamente à campanha eleitoral. A mudança no comando dos Estados é certa em Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Minas Gerais, Rio Grande do Norte, Amazonas, Rondônia e Mato Grosso. Em Goiás e Amapá, a transmissão do cargo só deve ser anunciada oficialmente na data-limite para desincompatibilização fixada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em 3 de abril.

Matheus Pichonelli, iG São Paulo |

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Serra deixa o governo na sexta

Serra deixa o governo na sexta

Após sete anos à frente dos Estados, ao menos seis governadores miram o Senado. Apenas o governador paulista, José Serra (PSDB), único da lista que está em seu primeiro mandato, abrirá mão de tentar a reeleição para concorrer à Presidência.

Vices querem reeleição

Com a renúncia dos governadores, os vices ganharão a atenção e os holofotes quase sempre direcionados aos titulares. A maioria quer usar a chance para se manter no cargo pelos próximos quatro anos e nove meses. Em ao menos cinco Estados (PR, MG, RN, RO e MT), o substituto já ganhou o aval do governador para disputar a reeleição. É o caso do empresário Silval Barbosa, que já recebeu apoio de Blairo Maggi (PR) para a sucessão. 

Nem assumiu o cargo e Sinval se envolveu em polêmica ao distribuir para crianças uma espécie de cartão de visitas pedindo que eles falem aos pais que Sinval é amigo. A suposta apresentação da candidatura se tornou alvo de representação do Ministério Público Eleitoral, já que o calendário eleitoral só autoriza propaganda a partir do dia 6 de julho. A Procuradoria argumenta que houve violação da lei e pede que o candidato seja condenado a pagar uma multa de até R$ 25 mil.

No Paraná e em Minas Gerais, os vices Orlando Pessuti (PMDB), médico veterinário, e Antonio Anastasia (PSDB), que é bacharel em Direito, também já receberam as bênçãos dos atuais mandatários, Roberto Requião (PMDB) e Aécio Neves (PSDB). O mesmo acontece com João Cahulla (PPS), ex-agricultor e hoje pré-candidato ao governo de Rondônia com o apoio de Ivo Cassol (PP). Todos eles têm aparecido com frequência em eventos oficiais ao lado dos padrinhos da campanha. Conhecido como professor, por causa de seu perfil mais técnico, e, portanto, mais retraído, Anastasia, por exemplo, tem sido testado em palanques para afinar o discurso antes mesmo de assumir o desafio. A ideia é ganhar traquejo e pavimentar a campanha para a sucessão mineira. 

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Eduardo Braga, candidato ao Senado

Eduardo Braga, candidato ao Senado

Há Estados, porém, em que o apoio do atual titular ao substituto ainda é incerto. No Amazonas, por exemplo, Eduardo Braga (PMDB) será candidato ao Senado, mas seu partido ainda não definiu se vai patrocinar uma possível candidatura do vice, o engenheiro civil Omar Aziz (PMN), ou se dará apoio a outros nomes, como o do atual ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento (PR). O arranjo ainda depende de acertos regionais.

No Amapá, se confirmada a saída do posto, o governador Waldez Góes (PDT) também terá de decidir se estará ou não no palanque de seu vice, o médico Pedro Paulo Dias de Carvalho (PP). Isso depende da intenção de Roberto Góes (PDT), primo do governador e atual prefeito da capital, Macapá, de se lançar candidato. Neste caso, Góes tende a permanecer à frente do Estado, onde poderá influenciar na eleição do primo.

Em São Paulo, a situação é outra. Sem pretensões eleitorais, Alberto Goldman (PSDB), substituto de Serra, assume o mandato unicamente com a missão de não comprometer. Formado em engenharia, foi escalado para dar continuidade à gestão tucana durante nove meses e não repetir o constrangimento provocado em 2006 por Claudio Lembo (PFL, atual DEM), então vice de Geraldo Alckmin. O distanciamento do governo do qual fazia parte fez com que Lembo, uma vez à frente do Estado, disparasse críticas para todos os lados, inclusive ao trabalho de Alckmin. Foi o que aconteceu quando, após passar apuros em meio aos ataques do Primeiro Comando da Capital (PCC), Lembo afirmou que, em vez de herdar uma Maserati, ganhou um Fusca 68 ao assumir o governo do Estado mais rico da federação.

Dificuldades

De cara, os novos governadores terão um desafio: montar uma equipe após o desfalque provocado pelas múltiplas pretensões eleitorais. Em São Paulo, cogita-se que até nove secretários devem deixar os cargos para se dedicar exclusivamente à campanha eleitoral. Entre eles, estão nomes de peso, como Geraldo Alckmin (Desenvolvimento) e Guilherme Afif Domingos (Emprego e Relações de Trabalho), que devem compor chapa para disputar a sucessão paulista, e José Henrique Reis Lobo (Relações Institucionais), que coordenará a campanha de Serra à Presidência.

Em Santa Catarina, o atual governador Leonel Pavan (que assumiu o posto no último dia 25 de março) é acusado de improbidade administrativa em ação civil pública ajuizada na Justiça catarinense pelo Ministério Público. Em fevereiro, a Promotoria pediu o afastamento dele da função por suposta participação em um esquema de corrupção que visava beneficiar a empresa Arrows Petróleo da Brasil Ltda. Segundo a denúncia, ele ajudou a acobertar um esquema de sonegação fiscal. Ao assumir o cargo, o novo governador passa a ter foro privilegiado no Superior Tribunal de Justiça (STJ). Ainda assim, as chances de Pava, que já foi prefeito em Balneário Camboriú (SC), deputado e senador, usar o mandato para continuar à frente do Estado são praticamente nulas, segundo aliados.

Já no Rio Grande do Norte, a preocupação é com a saúde de Iberê Ferreira (PSB), advogado que, prestes a tomar posse e iniciar a campanha pela reeleição, teve de ser submetido a uma cirurgia para retirada de um nódulo no pulmão esquerdo. O tumor era maligno.

Metade fora

Dos 27 governadores eleitos em 2006, menos da metade (12) deve concluir o atual mandato. Além dos dez que devem deixar o posto, outros quatro - Jackson Lago (Maranhão), Cássio Cunha Lima (Paraíba), Marcelo Miranda (Tocantins) e José Roberto Arruda (Distrito Federal) - tiveram os mandatos cassados; e Ottomar Pinto (Roraima) morreu em 2007, vítima de enfarte.

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