Combinação de vacinas reduz em 31% risco de aids

Pela primeira vez uma vacina contra a aids teve sua eficácia mensurável, diminuindo o risco de infecção. Os resultados foram divulgados ontem.

Agência Estado |

Cientistas combinaram duas vacinas que isoladamente haviam fracassado e descobriram que, juntas, elas podem reduzir em 31,2% o risco de uma pessoa ser infectada pelo HIV, vírus causador da aids.

A comunidade internacional comemorou os resultados históricos, mas afirmou que há um longo caminho até que a vacina seja comercializada em larga escala. A Organização Mundial da Saúde (OMS) exige nível de proteção, no mínimo, de 70% a 80% para autorizar a venda.

A pesquisa custou US$ 105 milhões aos cofres dos Estados Unidos e foi realizada com 16,3 mil voluntários na Tailândia, local considerado um laboratório a céu aberto para testes de aids. Do total de voluntários, metade recebeu há três anos placebo (produto que não produz nenhum efeito) e o restante, uma dose de duas vacinas.

O trabalho foi conduzido pelo Programa de HIV do Exército Americano, em colaboração com centros de pesquisa e com o Ministério de Saúde da Tailândia. A OMS entrou com suporte logístico e técnico.

Em carta à organização, o coronel Jerome Kim, que liderou os estudos no Departamento de Defesa dos EUA, declarou que o resultado é a "primeira evidência de que se pode ter uma vacina preventiva e segura". A previsão era a de que uma vacina seria obtida apenas em 2030.

A ONU estima que a aids mata todos os anos 2 milhões de pessoas no mundo - o total chega a 25 milhões desde que a doença foi descoberta, há 25 anos. Atualmente há 33 milhões de infectados. Em várias regiões, a aids nutre o subdesenvolvimento e a pobreza. Por já terem fracassado em avaliações anteriores, a decisão dos EUA de voltar a testá-las foi criticada por cientistas. Parte da comunidade científica chegou a atacar o projeto, alegando que um fracasso levaria a perda de dinheiro e de credibilidade.

Resultados

Os resultados, que serão oficialmente apresentados em outubro, foram comemorados ao redor do mundo. "Finalmente, depois de tantos momentos de depressão, estamos vendo uma luz", declarou a diretora do Departamento de Vacinas na OMS, Marie Paul Kyeni, que nos anos 1990 desenvolveu a tecnologia que possibilitou o teste na Tailândia.

"Esse é um dia muito significativo e uma grande conquista da ciência", disse Seth Berkley, presidente da Iniciativa Internacional em Vacina contra a Aids. A OMS acredita que uma vacina poderá frear a expansão do vírus ao redor do mundo e ter um impacto significativo até na redução da pobreza. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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